Mostrando postagens com marcador inclusão social. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inclusão social. Mostrar todas as postagens

16 de dezembro de 2009

As Contribuições da Equoterapia na Educação Inclusiva

A política da educação inclusiva abre uma nova perspectiva como forma de valorizar o indivíduo para torná-lo um ser integrado na sociedade. Partindo deste pressuposto, a família é premissa básica onde se constitui o primeiro grupo social, que na história da humanidade nos remete à condição do "Ser" na relação homem-mundo, que se faz a cada dia. Com isso, a proposta educacional deverá estruturar-se como forma de ação-reflexão-ação, para atender às necessidades de todos indistinta-mente. Nessa perspectiva, gerada pela proposta de educação inclusiva, o direito da pessoa deficiente, à educação, está implícito na Declaração Mundial de Educação pa-ra Todos, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1990 e que, por sua vez, inspirou o Plano Decenal de Educação para Todos . A integração da criança especial no contexto escolar não é um processo rápido, mas um desafio para ser enfrentado por todos educadores, como uma forma de ofe-recer oportunidades às pessoas especiais para satisfazer os seus desejos e anseios, exercendo seus direitos na sociedade. As bases do movimento de inclusão estão con-tidas no texto da Declaração de Salamanca (1994) que propõe: ...cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a o-portunidade de conseguir manter um nível aceitável de aprendiza-gem, cada criança tem características, interesses, capacidades e neces-sidades de aprendizagem que lhes são próprias, os sistemas de edu-cação devem ser planejados e os programas educativos implementa-dos tendo em vista a diversidade destas características e necessida-des, as crianças e jovens com necessidades educativas especiais de-vem ter acesso às escolas regulares, que a elas se devem adequar a-través duma pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro dessas necessidades, as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, constru-indo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos, a-lém disso, proporcionam numa educação adequada à maioria das crianças... É sabido que a escola regular, dentro de uma visão inclusiva, ainda incipiente no país, proporciona a criança especial o meio de desenvolver-se na diversidade com as diferenças. Para isto, a capacitação de professores é imprescindível dentro desta proposta, para que o professor esteja atento às peculiaridades desse aluno, não subes-timando pelas suas condições físicas, mas aplicando uma metodologia que atenda as necessidades de todos sem implicar em "exclusão" na inclusão. Nesse processo de educação inclusiva que tanto se fala, gostaria de destacar que na formação desses pequenos cidadãos, se faz necessário uma visão do viver na diversidade e com o espírito solidário; despertando nos alunos "ditos normais" sua importância na vida do colega especial, sendo também, referencial para a aprendiza-gem por imitação, repetição e criatividade, fatores preponderante como forma moti-vacional na criança especial, para o seu desenvolvimento, buscando desempenhar-se no contexto sócio-educacional, conforme as ações que o meio lhe oferece, respeitan-do o seu limite e tempo de cada aluno. Quando abordo a questão do limite e tempo de cada aluno, estou consideran-do que o aluno especial é capaz desenvolver-se e superar seus limites. Mas, para isso, é importante entender que o processo educacional requer o comprometimento da família e da escola, cabendo ao professor o conhecimento desempenhar-se nesta mis-são tão importante para as conquistas das crianças especiais. Segundo (OLIVEIRA, 1997,p. 12) Muitas das dificuldades apresentadas pelos alunos podem ser facil-mente sanadas no âmbito da sala de aula, bastando para isto que o professor esteja mais atento e mais consciente de sua responsabilida-de como educador e despenda mais esforço e energia para ajudar a aumentar e melhorar o potencial motor, cognitivo e afetivo do aluno. A proposta da educação inclusiva é de suma importância, a qual deve rever conceitos na matriz curricular, com abrangência na especificidade de cada deficiência, dando aos professores, na sua formação condições para efetivamente abraçar a edu-cação inclusiva. Com isso, a abertura de espaços para o novo com vista as tecnologias assistivas, imprescindível na vida da criança especial, possibilita na relação profes-sor/aluno uma relação de fidelidade, tão necessária para o desenvolvimento global da criança. Desde os tempos mais remotos o cavalo faz parte da vida do homem; a sua u-tilização como recurso pedagógico, cinesioterapêutico, psicoterapêutico e inserção social não é uma descoberta recente. A equoterapia é um método complementar e interdisciplinar que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem nas áreas de educa-ção, saúde e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas por-tadoras de deficiência e/ou necessidades especiais. A utilização do cavalo está embasado no seu movimento cadenciado, ritma-do, oferecendo ao cavaleiro e amazona "especiais" estímulos sensoriais e psicomoto-res. Este indispensável recurso para a prática equoterápica, congrega profissionais das mais diversas áreas, possibilitando assim desenvolver um programa que atenda as necessidades da criança por um todo, considerando a motivação e criatividade, como grandes aliadas para esta proposta educacional. Aplicada nos países europeus há mais de 30 anos este método contribui no de-senvolvimento global da criança, facilitando dentre outros fatores, trabalhar a sua função manual. O crescimento desta atividade no país vem possibilitando as pessoas com necessidades especiais uma melhor qualidade de vida. Segundo Hubert Lallery (1996 p.98 ) "A equoterapia é um dos raros métodos, talvez o único, que permite vivenciar-se tantos acontecimentos ao mesmo tempo, simultaneamente, e no qual as informações e reações são também numerosas." As contribuições significativas na prática da equoterapia, favorecem para a superação da dicotomia educação x saúde e vem requerer um planejamento e im-plementação sistematizadas na proposta educacional; possibilitando na interação com o meio e a natureza, o desenvolvimento de atividade na educação física, contri-buindo, assim, para melhora na coordenação motora, alinhamento postural, raciocí-nio lógico-matemático, auto-estima, atenção, concentração, estimulação sensório-motora, noção espacial, esquema corporal; oportunizando a criação de estratégias para uma proposta pedagógica que considere o sujeito na sua complexidade. Para o entendimento desses ganhos na equoterapia, é importante considerar que para (OLIVEIRA, 1997,p.16) .O sistema nervoso coordena e controla todas as atividades do orga-nismo, desde as contrações musculares, o funcionamento de órgãos e até mesmo a velocidade se secreção das glândulas endócrinas. Integra sensações e idéias, opera os fenômenos de consciência, interpreta os estímulos advindos da superfície do corpo, das vísceras e de todas as funções orgânicas e é responsável pelas respostas adequadas a cada um destes estímulos. O estímulo proporcionado na prática equoterápica oferece à criança especial, inserida na rede regular de ensino, um trabalho interdisciplinar, nos aspectos da e-ducação, saúde e promoção social, com possibilidades de um novo olhar para o mundo que a rodeia, ultrapassando os portões escolares, pois, permite a criança o contato com a natureza, participando de trilhas sob o dorso de um cavalo, conquis-tando novas formas de aprendizagem, possibilitando fazer uma educação corporal para melhora nas funções motoras, sem negar a importância da educação ambiental, facilitando assim, o seu desempenho em sala de aula e propiciando torná-lo cada vez mais independente e sujeito integrado. Nesse processo de construção e mudanças de paradigmas, busca-se desenvol-vimento de atividades que atendam à expectativa educacional da criança e da famí-lia. Com isso, a atividade promove momentos de ludicidade durante a prática equo-terápica, possibilitando o seu aprendizado de forma prazerosa. A maturação está relacionada à interação da criança com o meio, assegurando, assim, que todas as cri-anças têm a capacidade de aprender e, se são motivadas e estimuladas aprendem muito mais. Segundo VYGOTSKY apud BRAGA, 1995, p.85) " todo o processo edu-cacional pode ser descrito como criação de novas formas de comportamento" e que "a educação de uma criança deficiente não difere, em princípio, da educação de uma criança normal". Partindo desse ponto de vista, considero que o currículo escolar deverá ser apropriado às necessidades do aluno, possibilitando assim, a construção de esquemas motores para trabalhar suas potencialidades e despertar suas habilidades para uma motricidade eficaz para a construção da escrita. Estes ganhos, proporcionados pelos movimentos rítmicos do passo do cavalo, implicarão no desempenho pedagógico da criança que apresenta dificuldade: características de déficit de atenção, concentração e comprometimento na coordenação motora, lateralidade, sendo uma atividade coad-juvante na vida escolar da criança especial. Para Brito (2000, p.37): Trabalhar com criança é sentir-se um pouco criança... é possuir a ca-pacidade de se doar...trabalhar com criança especial é despertar nelas o prazer de ser criança... é fazê-la descobrir sua própria existência...desfrutar as etapas de sua vida...é viver cada momento. O conhecimento prévio da criança é bastante significativo, e deve ser conside-rado pelo professor para o seu aprendizado, o qual está relacionado à família, escola e sociedade. Desta forma, abre possibilidades para que a criança aprenda a aprender. Diante disso, o professor deverá ficar atento nesse momento tão significativo da cri-ança. À medida que, a criança é estimulada, motivada, ela apresenta resposta para novas conquistas e aprendizados. A família é o primeiro grupo social com o qual a criança convive. Neste con-texto deve caminhar juntamente com a escola, para o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, linguístico e social. Na tríade: família, escola e equoterapia integram-se a proposta pedagógica, a qual estabelece uma relação harmônica na área da educação. Neste feedback da família, permite o acompanhamento de forma sistematizada no processo de construção e formação para o aprendizado da criança de forma integrada com a escola. Para Brito (2000, p. 53): Geralmente quando nasce uma criança, há quem diz: é a cara do pai... outros acham que é a cara da mãe...Mas, quando nasce uma criança especial, poucos se arriscam a dizer com quem se parece, porém, sem dúvida é a cara da família e o corpo da sociedade. É imprescindível o envolvimento da família neste exercício, pois, o seu com-promisso de educadora está relacionada, diretamente com a realidade de seu fi-lho/aluno, possibilitando grandes ganhos psicomotores somados com o aprendizado escolar. Para isto, a escola precisa estar aberta para que o êxito com a educação inclu-siva, se torne efetivamente uma realidade, com a adequação curricular atrelada às instituições que prestam seus serviços nas mais diversas áreas, possibilitando, assim, que todos façam parte deste contexto para tornar um ser integrado na sociedade. O acompanhamento da criança especial na rede regular de ensino paralelo as suas atividades psicoterapêuticas, convencionais, destacando entre elas - a prática de equoterapia, vem proporcionando melhoras significativas nas funções motoras das crianças, o que confirma o crescimento da equoterapia no Brasil, através de Associações e Centros. A Associação Bahiana de Equoterapia, em parceria com as institui-ções: Exército Brasileiro (19º- Batalhão de Caçadores), Polícia Militar (Esquadrão de Polícia Montada) e Centros Hípicos (Escola Equitação Equoterapia Jaguar), amplia as atividades extra curriculares da criança, dentro de um trabalho conjunto de cunho social. Neste aspecto, o fortalecimento de políticas públicas está buscando cada vez mais dar um enfoque no contexto que envolva a família, o meio social, valores, onde todos fazem parte do processo educacional com vista a responsabilidade social. De acordo com (CARDOSO,1997.p.18) O modelo ecológico em educação especial teve início na Europa, no início da segunda metade deste século. O enfoque da educação se-guindo este modelo era na saúde em vez de na doença, no ensino em vez de no tratamento, e na aprendizagem em vez de tentativas de mu-dar a personalidade." (CARDOSO,1997.p.18 in Ministério da Justiça). Esta proposta inovadora, para a prática da equoterapia, possibilita a criança especial, fazer uso de um ambiente, articulada com a proposta pedagógica da escola, que perpassa pela transversalidade. As crianças inseridas no programa, com o acompanhamento interdisciplinar, vêm o cavalo atendendo as suas necessidades na espe-cificidade, ao tempo em que acompanham outras crianças que praticam o hipismo clássico, modalidade esportiva, onde todos passam a fazer parte de um ecossistema, reconhecendo assim, o indivíduo com cultura e valores próprios no contexto no qual está inserido. Portanto, de acordo com GOMES: Para uma criança aprender, seja o conteúdo dado na escola, seja uma regra do jogo, um relacionamento com os colegas, com a professora, com os pais, seja uma história, um desenho ou um filme na televisão, ela precisa do funcionamento de um conjunto de características que agem integralmente. Estas características são orgânicas, motoras, cognitivas, emocionais, sociais e metodológicas. (GOMES, 2004. p.87 ) É na diversidade que se constrói uma sociedade igualitária. A escola com uma proposta pedagógica vem atender as necessidades de todos, envolvendo a comuni-dade e as organizações que prestam assistência especializada. Para isto, é preciso levar em consideração as potencialidades destas crianças, que são identificadas na prática equoterápica, para proporcionar-lhes um ambiente promissor de novas construções e aprendizagens, motivando-as, dando-lhes um no-vo conhecimento de mundo, para a superação de seus limites. Com isso, a educação inclusiva coloca em alerta onde fiquemos atentos para acompanhar o processo de construção da criança especial, e não marginalizá-la. Face ao exposto o comprometi-mento físico da criança jamais pode ser associado a uma situação de impossibilidade de aprendizagem. A realização da atividade prática da equoterapia possibilita trabalhar a criança de forma individualizada e/ou em grupo com o suporte psicoeducacional e terapêu-tico, com isso, esta proposta visa um olhar mais crítico da realidade de cada aluno especial, dando ao professor no momento escolar, melhor direcionamento na práxis pedagógica. Esta dinâmica, exige um acompanhamento interdisciplinar prevendo as adaptações, estabelecendo assim, um programa para atender às necessidades especí-ficas de cada aluno. Com isso, considero que a proposta da educação inclusiva envolve diversos segmentos da sociedade com um compromisso único, traçando novos caminhos para a quebra de paradigmas, apresentando um novo modelo nas questões sócio-educacionais. Neste contexto, as crianças de hoje serão adultos amanhã com um novo signi-ficado do viver na diversidade, sob a influência do ambiente social e cultural, que contribui para a formação de traços psicológicos das crianças integradas na educação inclusiva para sua formação profissional. Em entrevista, Sassaki afirma: "a inclusão profissional está apenas começando, por iniciativa de algumas poucas empresas, geralmente multinacionais, ou seja, in-fluenciadas pela prática inclusivista já adotada por essas mesmas empresas em seus países de origem – os Estados Unidos, por exemplo." Para isso, se faz necessário pensar na criança de hoje com projeção no futuro, considerando que a base educacional é fundamental para o seu crescimento. Esses mecanismos para a inserção da criança especial na rede regular de ensino são com-pensatórios da educação inclusiva, que provém da participação da família e da co-munidade, contribuindo de forma solidária, para a funcionalidade da equoterapia, como uma proposta ecológica curricular comunitária-participativa. As comprovações da eficácia da equoterapia na práxis pedagógica, justificam–se que tê-la como coadjuvante no programa curricular, vai beneficiar substancial-mente a criança especial, na condição de mediadora e facilitadora no acompanha-mento pedagógico. Ao sentar-se no centro de gravidade do cavalo, a criança especial recebe uma gama de estímulos sensoriais e proprioceptivos possibilitando aquisições psicomoto-ras. O cavalo andando a passo proporciona uma mobilidade pélvica na criança, rea-lizado ajustes tônicos que favorecem diretamente para o desempenho de forma glo-bal o que contribui para suas funções bimanuais e o aprendizado pedagógico. Para Severo (2006,p. 143) [...] essas funções do sistema nervoso humano, psicológicas e sociais podem ser desenvolvidas em equoterapia – utilização do cavalo co-mo instrumento terapêutico – (horse tool). Com programas educacio-nais, de ensino e aprendizagem centrados na criança e integrados com os princípios e fundamentos da equitação básica, podem ser tra-tadas crianças com dificuldades de aprendizagem por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, na qual deverá estar incluída uma pedagoga ou uma psicopedagoga competente. O programa de-verá estar sempre em parceria com a família e com os outros profes-sores da escola em que a criança estiver estudando. As crianças com suas funções motoras deficitárias e movimentos involuntá-rios, o seu desempenho motor é afetado refletindo diretamente na escrita. Com isto, a prática da equoterapia, realizada de forma prazerosa seguindo um programa estabe-lecido pela equipe interdisciplinar, vai intermediar e contribuir nas atividades escolares. Cabe-nos uma reflexão: A equoterapia pode ajudar na ação pedagógica? Ao questionar Severo (2006, p. 143) afirma que: Para se entender os benefícios psicomotores da equoterapia no ser humano e principalmente, na criança, há necessidade de se estabele-cer, à priori, que o ser humano é um produto filogenético, ontogenético e cultural, sendo o sistema nervoso, os estados psicológicos e as situações sociais, os grandes responsáveis pelas aquisições da apren-dizagem e dos desempenhos comportamentais. Em segundo lugar, há necessidade de se entender que o desenvolvimento psicomotor an-tecede o desenvolvimento cognitivo e emotivo, segundo vários auto-res. Os fatores psicomotores distribuídos pelas unidades funcionais de Luria são apresentados como circuitos dinâmicos auto-regulados, construídos segundo o princípio da organização vertical das estrutu-ras do cérebro e dependentes de uma hierarquização funcional e afe-tiva, que ocorre em todo o desenvolvimento da criança. Todos os en-gramas psicomotores reunidos funcionalmente compreendem uma complexa constelação psicomotora, pois cada um contribui, particu-larmente, para a organização global do sistema funcional psicomo-tor... Educar é ajudar o ser humano com os princípios e os fundamen-tos do ensino e da aprendizagem, informal e formal, na família e na sociedade, a transformar-se pelo crescimento e pelo desenvolvimento biopsicossocial em um cidadão com liberdade, felicidade e paz. Nesta condição, as contribuições da equoterapia na educação inclusiva, pro-movem a motivação para os outros alunos, a experimentação em estar no dorso de um cavalo, onde o objeto de desejo com fins psicoterapêuticos para as crianças espe-ciais passa a despertar nas crianças "ditas normais", a utilização do mesmo com fins esportivos. Com este referencial, procuro estabelecer esta relação possibilitando a-través da experimentação, da integração e percepção como uma forma de conviver com as diferenças e entender as necessidades do outro, respeitando-os na relação homem-mundo que se encontra e se constrói nos aspectos de forma interpessoais e intrapessoais. É um momento significativo na vida da criança: de descoberta, aproximação das relações, afetividade, compreensão das limitações; é a descoberta das potencialidades, de acreditar nas suas capacidades de responder aos variados estímulos sensó-rios-motores provenientes que o meio oferece. Estes ambientes facilitadores implicam na interconexão e suas influências externas, nesta modalidade de aprendizagem, sendo transformada pelo ambiente que o transforma na participação ativa, interagin-do com pessoas, objetos materiais e animais. Nesta versatilidade do currículo, a atuação prática em equoterapia, busca a-tender as necessidades da criança especial, com atividade extra-curricular, que su-plementa na proposta pedagógica, capaz de proporcionar ao aluno um ambiente aco-lhedor e significativo para o seu desenvolvimento. Com isso, as experiências trazidas do seu meio familiar e a prática de equoterapia, contribui, assim, com a melhora na coordenação motora fina, equilíbrio postural, desempenho nas atividades escolares, melhora na escrita e maior socialização. Este trabalho relaciona-se com a minha prática em equoterapia, atuando há 16 anos, com conhecimentos adquiridos com participação de cursos promovidos pela Associação Nacional de Equoterapia, Brasília, leitura de artigos, livros, seminários, revistas, participação no Congresso Internacional de Equoterapia dentre outros re-cursos áudio-visuais e a minha formação acadêmica, tão importante para a compre-ensão da sistemática aplicada na proposta da educação inclusiva, considerando a e-quoterapia um recurso tecnológico para a prática educativa e desenvolvimento da psicomotricidade na criança especial e grande aliada para o seu desempenho global. O método foi introduzido no Brasil em 1989, através da Associação Nacional de Equoterapia com o propósito de incentivar também a implantação de associações estaduais; a sua nomenclatura é diversificada em diferentes países como: equoterapi-a, equinoterapia, equitação terapêutica, hipoterapia. "Equo" origina-se do latim "e-quus", é de suma importância enfatizar que o cavalo pertence à ordem dos perisso-dálitos, da família dos eqüídeos, da sub-família equínea na qual se encerra o único representante atual do gênero equus, que é a espécie "caballus" ou seja, o cavalo propriamente dito como é hoje em dia; Terapia vem do grego "therapeia", parte da medicina que trata da aplicação de conhecimentos técnico-científicos no campo da reabilitação e ou/reeducação. (CIRILLO, 1991, p. 1).

Maria Cristina Guimarães Brito

24 de novembro de 2009

Equoterapia e Psicologia Comunitária : integração social em um centro de equoterapia


A Psicologia Social Comunitária : Surge, no Brasil, na década de 60 como forma de deselitizar a psicologia tendo como objetivo trabalhar com comunidades de baixa renda em busca de uma melhor qualidade de vida. O campo de trabalho, com o tempo, foi se ampliando para creches, postos de saúde, setor judiciário e sistemas de promoção de bem-estar social onde o psicólogo lança mão do desenvolvimento de instrumentais de análise e intervenção de acordo com as características específicas desta clientela. Campos (1996), coloca também que a partir do levantamento de necessidades deste grupo específico há a possibilidade de se utilizar métodos e processos de conscientização que estimulem os sujeitos a construírem sua própria história, a terem consciência dos determinantes sócio-políticos de sua situação e a atuarem na busca de soluções para seus problemas. A Psicologia Social Comunitária é um campo de trabalho interdisciplinar comprometido política e socialmente com o desenvolvimento de saberes e práticas que possibilitem o estabelecimento de relações igualitárias e emancipatórias através da dialógica. Tem como objeto de estudo a subjetividade, cuja construção se dá concretamente a partir das relações sociais cotidianas. A prática se estrutura fora do ambiente tradicional, em intervenções que facilitem transformações das experiências de dominação e desigualdade, a ponto de estabelecer relações conscientes, críticas e ativas. (Campos, 1996) Verificamos que os praticantes que limpam, encilham e guiam os cavalos sentem-se gratificados e felizes ao concluírem suas tarefas. Segundo Alícia Fernández, os comportamentos não instintivos, isto é, os que requerem uma aprendizagem (encilhar, guiar, etc.) são processos construtores de autoria "o essencial do aprender é que ao mesmo tempo se constrói o próprio sujeito" (Fernández, 2001, p.31 e 35). Tal transformação implica uma abordagem metodológica que privilegie a atividade, a consciência e a ética da solidariedade , motivo pelo qual a observação e a pesquisa participantes são utilizadas para efetivar o planejamento e a execução de programas de transformação da realidade vivida (Campos, 1996, p. 11). Conclui-se assim, que a produção do conhecimento se dá a partir do diálogo entre o saber popular, o saber acadêmico e o contexto nos quais estes saberes se inscrevem. O conhecimento produzido dessa forma garante a coordenação de ações coletivas de enfrentamento do instituído na realidade, a partir da síntese das percepções do pesquisador e daquela comunidade específica. A Integração Social na Equoterapia : "Os deficientes são pessoas antes de tudo...e têm o mesmo direito à auto-realização que quaisquer outras pessoas – no seu ritmo próprio, à sua maneira e por seus próprios meios. Somente eles podem superar a si mesmos" (BUSCAGLIA, 1993, P.29 apud SANTOS, 1997, P. 115). A sociedade deve reconhecer o portador de necessidades especiais como um ser humano com os mesmos direitos e obrigações dos demais. Ele deve ser acolhido pela família e se sentir capaz de se preparar através da educação para o trabalho, para a interação e a adaptação psicológica à integração. Segundo Clemente Filho (1977) a integração pressupõe interação, reciprocidade de ação, troca de atividades; é preciso que o "deficiente" que recebe amparo e proteção dê em troca pelo menos esforço, senão trabalho e produção, socialmente úteis. Isto, em nosso Centro de Equoterapia, podemos verificar através da realização e felicidade que os praticantes expressam ao se sentirem úteis e "normais" trabalhando no manuseio dos cavalos como qualquer outra pessoa. Neste espaço, eles desempenham o papel de equipe de apoio (auxiliar-guia, auxiliar-lateral e tratador). Para haver uma integração devemos analisar todos os aspectos desta relação: o portador de necessidades especiais, sua família e comunidade. Se há o desejo do praticante e de sua família em realizar estas atividades nós fazemos um acordo quanto à carga horária, funções, etc. O praticante recebe informações e supervisão constante da equipe do local para um bom desempenho de sua função. A partir da escolarização é que os vínculos com alguém fora da família começa a existir. Até então a criança se relacionava apenas com os cuidadores. A importâncias deste relacionamento entre infantes torna-se maior, fato que não se observa com os deficientes. Há uma diferença entre amigos e parceiros, este só junta para realizar atividades como a de brincar, àquele é que a criança escolhe para estar com ela para além da escola. O deficiente normalmente têm parceiros, suas limitações o impedem de expandir a relação para além do ambiente escolar. Mas em alguns casos a amizade é possível, a partir da prática no CEPA, percebemos que alguns praticantes ampliam este laço para além do espaço da Equoterapia. Alguns praticantes freqüentam a casa uns dos outros, encontram-se fora do CEPA, transformando uma parceria em amizade. As Famílias envolvidas no Processo : "quando nasce uma criança deficiente, a sociedade modifica as suas condutas: ninguém envia cartões de parabéns, não há prendas; há choros, emotividades provincianas e culpabilidades hereditárias inconscientes que ‘dramatizam’ ainda mais a situação" (FONSECA, 1991, P.11 apud SANTOS, 1997, P. 145). Desde o momento da concepção a história do bebê começa a ser traçada, esta "pré-história" nos mostra os desejos inconscientes do casal, tanto em relação a querer ter o filho ou não tê-lo. A sociedade espera uma imagem de jovens bonitos, sadios, inteligentes, enfim, alguém de quem se orgulhar. "De repente, aquele sonho infantil termina, repentinamente o casal se vê diante de uma realidade dolorosa demais: eles não geram um superbebê, mas uma criança da qual, a princípio, não vêem motivo para se orgulhar" (SANTOS, 1997, p. 147). De fato, a notícia é avassaladora, mesmo quando dada com cuidados, surgem questionamentos de culpa, dúvidas quanto ao futuro e por exemplo estas perguntas surgem aos pais: Aonde foi que eu errei? Porque tinha que acontecer comigo? O que será de mim? O que será de meu filho quando eu morrer? Após a descoberta que o bebê não se desenvolve como as outras crianças e que ele necessitará de cuidado permanente pressupõe-se muitas mudanças na organização familiar como aspectos econômicos, sociais e pessoais (emocionais) a fim de adaptar-se a nova realidade. A família passa então pela dor do luto do filho desejado e assim deve elaborar esta perda para reconhecer o filho gerado. Sobre esta criança os pais têm o direito de serem informados quanto às reais condições e possibilidades futuras (BUSCAGLIA apud SOUZA e MADUREIRA in ANDE, 2001). Santos (1997) coloca que as famílias com maior poder aquisitivo tendem a envergonhar-se mais do filho devido às expectativas de um bom desempenho. Assim elas investem mais na estimulação precoce e no acompanhamento médico. Eles também dão ênfase no desenvolvimento do senso de responsabilidade e às aquisições de conhecimento individual. A integração entre as famílias de portadores de necessidades especiais pode se dar através dos locais freqüentados por estes como: fonoaudiólogo, fisioterapeuta, escolas especiais, oficinas protegidas, natação, equoterapia, etc. Nestes encontros há a troca de experiência que pode auxiliar a aliviar angústias pois podendo compartilhar as dificuldades, temores e dúvidas sobre o familiar especial, assim algum conforto é obtido. Freire (1999), ressalta que a família reage de duas maneiras distintas, ou ela superprotege a criança, ou ela a desqualifica. Esta última, provoca uma redução das possibilidades e perspectivas de futuro que tendem a aumentar o grau de dependência. esta forma o feedback negativo se cria fechando um círculo vicioso e patológico. Na equoterapia, ao introduzir o cavalo este forma uma triangulação (praticante- cavalo-pais) que permite à família a visualizar o deficiente como separado dela e assim descobre-se capacidades não percebidas deste indivíduo. Redefinir as relações familiares auxilia na adequação dos comportamentos por parte do deficiente pois o círculo vicioso patológico pode ser interrompido. De acordo com Gavarini apud Freire (1999), a equoterapia favorece a integração social pois estimula o contato com outros praticantes, com seus familiares, com a equipe e com o animal. Desta forma aproxima o deficiente da sociedade a qual ele faz parte. O espaço da Equoterapia é visto pelas famílias como um local que vai além de uma terapia para seus filhos, é uma possibilidade de conviver junto à natureza que facilita as relações interpessoais. Geralmente as mães e acompanhantes terapêuticos são as pessoas que permanecem como praticante durante suas atividades semanais. No CEPA há atividade aos Sábados pela manhã, então percebemos uma maior participação do pai nas atividades. Conclusão : São diversas as dificuldades enfrentadas pelos PNE, deficientes e/ou doentes mentais e seus familiares de se relacionarem socialmente. Além das barreiras físicas (rampas de acesso), as barreiras do preconceito dificultam sua integração em sociedade. A possibilidade desta integração ocorrer dentro de um Centro de Equoterapia reforça o papel de psicólogo frente a esta realidade. Percebemos que nos finais de semana ocorre a participação dos demais integrantes da família (pais, irmãos, avós, primos e amigos da escola). Nesta ocasião, há interação entre familiares e equipe, criando a oportunidade de trocas de experiência, de saberes e de sentimentos ratificando ser este um espaço para a atuação da Psicologia Comunitária. O psicólogo é o profissional preparado para esclarecer aos outros profissionais da equipe o que se passa com a família e com o praticante que é atendido, permitindo a otimização da dinâmica interdisciplinar. Para os praticantes a possibilidade de trabalhar com os cavalos os faz sentir úteis e mais responsáveis contribuindo assim para sua inserção na sociedade. Isto o integra socialmente e o faz reconhecer-se como indivíduo. Desta forma, a Psicologia Social Comunitária tem o seu papel de ampliar esta consciência com o auxílio da Equoterapia que é um espaço facilitador de relações sociais e interpessoais igualitárias.
Renata de Souza Zamo : Psicologa e Instrutora de equitação do CEPA -Centro de Equoterapia Porto Alegre

A Equoterapia como auxiliar da Educação e da Inclusão Social


Um pouco da história da Inclusão/Exclusão :A inserção e a relação das pessoas deficientes com o mundo vem mudando muito na história. Na sociedade primitiva, as pessoas deficientes eram exterminadas, possivelmente por condições de sobrevivência própria e de todo seu grupo social (CARLO, 1999). Na antiguidade os deficientes eram segregados, afastados da sociedade, pois sua diferença era vista como maldição, ligações demoníacas e todo tipo de crendices. Tudo que era diferente e desconhecido gerava medo e preconceito, chegando à exclusão dessas pessoas.Com a expansão do Cristianismo, o deficiente também é considerado como uma pessoa quetem alma e portanto passou- se a considerar que ele já não poderia mais ser eliminado ou abandonado. A partir daí, essas pessoas começaram a ser acolhidas em asilos, ou por famílias , mas isso ocorria mais por tolerância do que por compromisso ou responsabilidade para com eles (CARLO, 1999). Assim, se nos seus primórdios recebeu proteção em hospitais e asilos, impulsionados geralmente pela filantropia, já no final do século XIX contou com duas instituições governamentais para educação do cego e do surdo. No século XX, a medicina influiu fortemente até os anos de 1930, mas foi gradualmente substituída pela psicologia, principalmente devido à influência de Helena Antipoff nos cursos de formação de professores (JANNUZZI, 2004, p.195). Então podemos dizer que a partir do final do século XIX, tempo de mudanças e descobertas, passou-se a estudar os deficientes de modo a procurar respostas para seus problemas, pois até então eles eram tratados como doentes, em alguma instituição. Excluídos da família e da sociedade eram acolhidos em asilos religiosos ou filantrópicos. Ao mesmo tempo foram aparecendo algumas escolas especiais e centros de reabilitação (CARLO, 1999).No Brasil, o atendimento aos portadores de necessidades especiais, começou em 12 de setembro de 1854, pelo decreto imperial n. 1.428, quando D. Pedro II fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, no Rio de Janeiro, hoje conhecido como Instituto Benjamin Constant, nessa mesma época e cidade foi criado também o Instituto do Surdos- Mudos, hoje conhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos- INES (BUENO, 1993). Pouco a pouco, graças a Ongs como a Sociedade Pestalozzi, a AACD- Associação de Assistência à Criança Defeituosa e a APAE- Associação de Pais e Amigos do Excepcional, a questão da deficiência foi saindo do âmbito das doenças para tornar- se uma questão educacional (BUENO, 1993). De acordo com o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A diretriz apontada pela Carta constitucional é reforçada pela lei 7853/89, de 24 de outubro de 1989, regulamentada pelo decreto n º 3.298/20. 12.99, que dispõe sobre a responsabilidade do poder Público em prover condições para o ingresso e a permanência de alunos com necessidades especiais nos sistemas de ensino. Nesse sentido, nenhuma escola pode recusar, sem justa causa, o acesso do deficiente à instituição. A lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, em seu capítulo V, artigo 58, refere-se à Educação Especial como modalidade da Educação Escolar, que deverá ser ofertada, preferencialmente, na rede regular de Ensino, particularmente aos alunos com necessidades educacionais especiais, havendo, quando necessário, serviços de apoio especializado. Sobre isso Turra, Martines e Mariotto Pinto (2002, p. 8) se expressam assim: No entanto, professor, sabemos que ainda existe muito preconceito e discriminação em nossa sociedade. Embora na teoria esteja tudo muito claro, na prática esta teoria não se efetiva. Nosso papel como educadores é o comprometimento com a educação e com o futuro das crianças, independente de sua cor, sexo, raça, credo ou classe social, e se tenham ou não alguma deficiência.
A Equoterapia e o auxílio na Inclusão
Talvez por ser uma forma de tratamento que sai dos padrões convencionais de atendimento para pessoas com necessidades especiais, pois utiliza um instrumento vivo, o cavalo, e também por propiciar um ambiente diferenciado, a natureza, a Equoterapia tem promovido resultados mais rápidos e eficazes - a melhora do equilíbrio, da coordenação motora, na postura, o alongamento e flexibilidade muscular, a adequação do tônus muscular, a dissociação de movimentos, a melhora nos padrões anormais através da quebra de padrões patológicos e também na respiração e na circulação - juntam-se a esses benefícios a melhorada consciência corporal, a integração dos sentidos, melhorias nas funções intelectivas e cognitivas, na fala e na linguagem, além da melhora na autoconfiança, auto-estima, bemestar, enfim são muitos os benefícios que a Equoterapia traz para seus praticantes tornando a inclusão escolar e social mais tranquila (LERMONTOV, 2004). Os princípios de desenvolvimento na aprendizagem, para os não deficientes e deficientes são iguais, porém existem particularidades na forma de aprender e de se desenvolver, por isso a necessidade da utilização de recursos para cada peculiaridade. A prática de inclusão social e escolar se baseia na aceitação das diferenças, valorização de cada pessoa, incorporação da diversidade, sem nenhum tipo de distinção. Não se trata apenas de aceitar a matrícula dessas crianças portadoras de necessidades especiais, pois a lei garante isso. O que realmente deveria ser feito é oferecer para esses alunos serviços complementares, práticas criativas, adaptações no projeto pedagógico, rever postura e construir uma nova filosofia educativa. É preciso preparar as escolas para receber esses alunos, principalmente realizando a capacitação de seus professores e a interação entre escolas e os serviços de saúde, em especial os de reabilitação. É importante também sensibilizar os pais, sobretudo os dos não-deficientes. Todos devem trabalhar juntos, desempenhando um papel ativo no processo de inclusão. Enfim, todas as pessoas têm capacidade de aprender e contribuições para dar, se todas tiverem a mesma oportunidade de aprender e conviver. Por isso, todos os recursos pedagógicos e terapêuticos devem ser utilizados para a inclusão social e escolar das pessoas que apresentam alguma necessidade especial, para que essas pessoas possam superar suas dificuldades e limites. A Equoterapia é uma opção de recurso pedagógico e terapêutico para essas pessoas, pois já mostra resultados.

Milena Franco :Pedagoga; Especialista em Educação Especial pela Universidade Metodista de Piracicaba. Psicopedagoga, pela Universidade Castelo Branco do Rio de Janeiro.