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4 de dezembro de 2009

The Flying Change : A Mudança de Pé no Ar

Os cavalos que tem um bom galope, com ação e mobilidade, já demonstram quando jovens, a facilidade para a mudança de pé. Naturalmente eles aprenderão com mais rapidez este exercício, ao contrario de outros cavalos que tem pouca qualidade nesta andadura e poderão ter problemas e vícios ao executar esse movimento.A execução correta;A mudança de pé correta, executada no Adestramento Clássico, é feita no galope reunido. Ela tem estreita ligação com o tempo de suspensão que se segue a cada lance de galope, portanto quanto "menos tempo de suspensão" o cavalo apresentar no galope, com menos qualidade ele fará a mudança de pé. As mudanças de pé podem ser executadas isoladas ou em séries . quer dizer 4,3 e 2 tempos e ao tempo (a cada galão). Somente nas provas de "Adestramento de nível Médio" é que são solicitadas as "mudanças de pé" isoladas, e conforme as exigências vão evoluindo, como na série Forte onde as mudanças são pedidas a 4, 3, e 2 tempos. As "mudanças de pé" ao tempo ( a cada galão) fazem parte da série Especial. Nas mudanças isoladas ou nas séries, o cavalo deve se conservar "leve, calmo, reto e com impulsão constante". A "cadência e o equilíbrio" não se modificam ao longo de todo movimento. O grau de reunião nas "séries" poderá ser um pouco menor que o normalmente pedido, a fim de evitar um encurtamento dos lances e uma perda da leveza e fluência.As ajudas ; A ajuda, o comando para executar a mudança, é solicitada no momento em que os "três membros estão no chão" e o "anterior interno inicia o movimento da passada do galope" (no terceiro tempo). O cavalo muda neste momento a batida dos seus posteriores e anteriores. A mudança é calma mas ao mesmo tempo enérgica, ganhando amplitude e mantendo a retidão do cavalo. A garupa e as espáduas não se deslocam de um lado para outro. A mudança não é rasa, curta, sem energia, interrompendo assim a cadência e a fluência do galope. Quando o cavalo tensiona a garupa (garupa alta) e faz a mudança mais para cima do que para frente, é sinal de que falta mais descontração e impulsão. Um momento antes de pedir a mudança de pé, o cavaleiro executa uma meia-parada (chamada de atenção), dá uma ligeira indicação, uma leve encurvatura com a rédea interna para o lado em que vai mudar o galope, mantendo porém a retidão. Esta leve encurvatura não deve ser confundida com rédeas tensas ou curtas. Tomamos por exemplo a mudança de pé da "direta para a esquerda" O cavaleiro prepara a mudança ativando o pé interno do cavalo (o pé direito). No momento exato descrito acima, ele pede a "mudança de pé" para a esquerda com a sua perna direita que se desloca mais atrás da barrigueira ( a ação de perna e assento se dá ao mesmo tempo). A perna interna do cavaleiro, durante o momento da mudança, mantém um leve contato e sustentação para que o cavalo não desequilibre para a esquerda. A rédea externa ( agora a direita), mantém contato para que as espáduas não desequilibrem. No momento em que o cavalo executa a "mudança de pé", a mão interna, que deu uma leve indicação, fica mais suave para que ele possa fazer a mudança com as espáduas livres e descontraídas. As pernas e a bacia é que dão o comando para as mudanças. A bacia interna empurra e avança para a mão da mudança e as mãos leves deixam o cavalo executar o movimento com liberdade. A ação das pernas e assento se dão ao mesmo tempo, mas sem interferir no posicionamento correto da parte superior do corpo. Defeitos ; Se o cavalo muda os seus anteriores mas não os posteriores (galope cruzado), ou atrasa o posterior interno, é resultado da falta de impulsão e força dos posteriores, ou também de indefinição das ajudas. Os cavalos que jogam muito a garupa devem fazer as mudanças ao longo da parede do picadeiro, evitando assim que ele se entorte. Do galope falso para o galope justo). Se o cavalo tende à aumentar demais o galope antes da mudança, a transição galope, passo, galope, ajuda na correção para que ele continue no galope calmo e ritmado. "Tensão, ansiedade, ajudas bruscas e medo devem ser evitados". Muitas vezes o próprio cavaleiro tende à ficar tenso na sua musculatura, dando ajudas muito fortes e indefinidas - é de vital importância a posição correta e definição clara. Se o cavaleiro se desloca da sela jogando o seu peso sobre os anteriores do cavalo, ou se não está bem centrado, irá atrapalhá-lo muito neste exercício. As mãos não podem ser brutas (pois é onde o cavalo apoia a sua boca), nem altas demais ou afastadas demais. O cavaleiro que não tiver experiência, uma posição correta e não souber em que momento o cavalo está usando os seus membros como noção de ritmo, não terá condições de fazer uma mudança de pé corretamente. É incorreto e ineficiente um cavaleiro jogar, deslocar o seu corpo para um lado e para o outro, saindo da sela ou "quebrando" a cintura. Pernas soltas e sem controle não poderão ser eficientes. Alguns métodos de treino ; O cavaleiro pode iniciar a mudança de pé, quando o cavalo já domina bem o "galope reunido", com equilibrio, cadência, engajamento e atendendo bem às partidas, às transições, ao contragalope e aos altos. Com algumas exceções e com muito cuidado, a "mudança de pé" isolada pode ser feita com cavalos ainda no nível principiante, mas somente para os cavalos que tenham mais facilidade e talento para as mesmas ou quando as executam sem nenhuma resistência. É aconselhável pedir a "mudança de pé" primeiro da "direita para a esquerda". Também é lógico pedir a mudança do lado ruim para o lado melhor (se o cavalo apresentar diferenças entre os lados). Um bom método é treinar a mudança sempre no mesmo ponto do picadeiro, para que o cavalo assimile - porém se ele começa à se adiantar às ajudas, e quer mudar antes, então seria melhor variar de lugar. Não se pede muitas mudanças de uma vez para um cavalo ainda não confirmado. O ideal seria fazer esta figura de picadeiro quase no final do trabalho, quando o cavalo já está bem flexível e descontraído (mas cuidando para não pedir a mudança quando ele já está muito cansado e sem forças nas costas). Logo em seguida à mudança (mesmo que ela não tenha sido perfeitamente correta) voltar para a andadura do passo ou trote, agradando o animal, principalmente se ele for um cavalo nervoso. Ele deve aprender as mudanças de pé, sem traumas e sem o uso excessivo de esporas ou chicote. Como preparação, pode- se também fazer uma meia volta no galope justo, e retornando à parede do picadeiro pedir a "mudança de pé". Se o contragalope do cavalo for bom, muda-se do galope falso para o galope justo (sem que a garupa se desloque demais antes da mudança ). Os métodos são naturalmente variáveis, e cada cavalo reage diferentemente, por isso é importante experimentar vários exercícios, até achar qual é a melhor preparação. Cuidar para que o cavalo faça a mudança o quanto antes em "linha reta e para frente". Defeitos e correções; O erro mais comum é o cavalo atrasar o posterior interno na mudança, (um ou dois galões), ocasionado pela falta de reunião, impulsão ou fraqueza de posterior. Outros defeitos são: Perder a impulsão, galopar muito curto e tenso, manter a garupa contraída e alta, e se deslocar lateralmente. Pesar demais sobre a mão do cavaleiro (encapotar), deslocando seu equilíbrio sobre os anteriores, perdendo assim a reunião dos posteriores e a auto sustentação. As rédeas auxiliares (rédea alemã, etc.), são usadas com muito cuidado quando se pratica a mudança de pé. Somente quando o cavalo realmente não mantém o pescoço em posição correta e eleva demais a nuca é que se pode fazer uso dela, porém com muita parcimônia e leveza. A rédea alemã, por exemplo, não tem a função de fazer abaixar o pescoço e a nuca, mas somente impedir que o cavalo levante demais a cabeça à partir de um certo ponto. Se o uso da rédea for em um contato constante, o cavalo pode reagir embutindo o seu pescoço, colocando o nariz atrás da vertical, fugindo assim da mão do cavaleiro. Por isso é muito importante que o cavalo consiga fazer um "galope reunido redondo, ativo, sem tensão de dorso e garupa", pois no momento em que surgirem estas reações a mudança de pé não estará sendo feita corretamente.

19 de novembro de 2009

Importância da Psicologia do Esporte na Equitação

Introdução : Os primeiros momentos que antecedem qualquer competição esportiva são o bastante para fazer o coração de qualquer atleta bater mais forte. A ansiedade é um estado emocional negativo com sentimentos de nervosismo, preocupação e apreensão São vários os fatores que influenciam na ansiedade e na tensão competitiva que foram observados e estudados neste trabalho. Alguns sinais como batimentos cardíacos alterados, respiração, mãos frias e úmidas, necessidade de urinar freqüentemente, sudorese, diálogo interior negativo, olhar aturdido, tensão muscular aumentada, estomago embrulhado, indisposição, dor de cabeça , alguns destes sintomas foram observados no dia da competição.Quais os motivos que desencadeiam este estado emocional e como o psicólogo do esporte poderá atuar neste esporte.Metodologia : Os métodos utilizados foram de observação, questionamento e investigação de alguns dos meios externos relacionados à postura dos iniciantes. Foram feitas pesquisas de campo por meio de acompanhamento de seis indivíduos com idade entre 10 e 13 anos,cinco do sexo feminino e um do masculino que iriam competir em uma prova hípica pela primeira vez e tinham no mínimo um mês de experiência na escola de equitação. Este grupo foi observado no treinamento e nas competições hípicas. Foram feitas entrevistas com os pais, instrutores e com os próprios atletas.Para medir a freqüência cardíaca do grupo foram utilizados monitores marca(POLAR A3 )foram medidos em repouso, em treinamento e na competição. Ainda foi procedida pesquisa bibliográfica, uma vez que o assunto tem pouquíssimo material disponível no que se refere a psicologia do esporte aplicada a equitação. Resultados : Na observação realizada medindo a frequência cardíaca das crianças no paddock (logo antes de entrarem na pista de competição) e na avaliação através de observação dos sintomas gerais de ansiedade, pudemos perceber que ao montar para participar de uma prova o nível de ansiedade dos pesquisados já estava alterado.Os resultados de todos os pesquisados demonstrou em média um aumento de 30bpm(batimentos por minuto)da freqüência cardíaca de repouso para a freqüência no paddock, e de 70bpm para a freqüência cardíaca ao terminar a prova. Por conta dos questionários e observações e nos treinos e mesmo nas prova, verificamos ainda que os pais têm um papel muito grande no desempenho de seus filhos. Talvez mais do que os instrutores. Suas atitudes e comportamentos têm efeitos muito importantes, tanto positiva como negativamente. Portanto, segundo (Weiberg e Gold), a participação bem sucedida dos pais no esporte pode ser difícil, mas vale a pena. Foi extremamente eloqüente o resultado de nossa observação, onde o sujeito que tinha os pais de perfil psicológico mais calmo, sem demonstrar nervosismo, preocupação excessiva e ansiedade , apresentou os melhores resultados entre as crianças observadas, enquanto que o sujeito que tinha os pais com maiores alterações teve a pior performance entre todos os pesquisados. Em treinamento e competição, todos os cavaleiros estão sujeitos a ansiedade e stress, e possivelmente aqueles que melhor sabem lidar com isto são aqueles que conseguem as melhores classificações. Portanto a Psicologia do Esporte torna-se praticável na Equitação a partir do momento que poderá criar para os cavaleiros numerosas oportunidades para mudar seus antigos hábitos e atitudes, de perceber o que compromete sua performance ou o divertimento no esporte. Oferece aos cavaleiros uma variedade de formas que irão melhorar sua confiança, competência e auto-controle. Pode-se trabalhar individualmente cada cavaleiro, treinador e seus pais e criar rotinas individuais para cada um deles dentro de suas necessidades. A Psicologia do Esporte poderá ajudar no controle do temperamento das pessoas quando intenso demais e ensinar os praticantes a se divertirem. Se divertir no processo de montar em
vez de se preocupar exclusivamente em ganhar, pois a preocupação em ganhar interfere com o prazer de montar. Os pais devem entender que o mais importante ao iniciar seus filhos na vida esportiva – em qualquer esporte que seja - é saber o bem que isso pode fazer à criança em um todo, independentemente de vitórias ou troféus. Além disso, a prática de esportes desde a infância traz benefícios para toda a vida e ensina a criança que o resultado só depende dela. Elas aprendem a lidar de frente com as alegrias e decepções que podem acontecer a cada competição. O esporte é uma fonte rica em relacionamentos e ótimo para a saúde física e mental. Na Equitação, além do cavalo e cavaleiro, muitas pessoas estão envolvidas em uma competição: amigos, familiares, treinadores, público etc., o que acaba gerando um alto nível de expectativa ao redor do competidor. A expectativa de obter o reconhecimento pela sua equitação, a tentativa de agradar e formar opiniões positivas, a expectativa de ganhar a prova ou mesmo a expectativa de cair do cavalo. O cavaleiro mal treinado, pouco confiante, com pais ansiosos e com pouca interação com seu treinador terá certamente sua performance afetada e a cada resultado negativo a expectativa e a pressão serão maiores, gerando um efeito “bola de neve” que poderá acabar culminando com a desistência do esporte. Discussões e Conclusões :Pudemos concluir que através de experiências esportivas positivas como a auto-percepção, a motivação, o prazer na atividade, atitudes positivas em prol dos valores da atividade física per si, capacidade de lidar com a ansiedade, e atitudes esportivas formam o âmago das características que supre as justificativas do esporte competitivo (Wiggins,1987). Pude concluir que as crianças entram no esporte para divertir-se e a partir do momento que se iniciam nas competições um dos fatores que mais influência no aumento de seu nível de ansiedade são as manifestações das pessoas que estão ao seu redor, suas atitudes e comportamentos irão interferir de maneira intensa no esporte. Temos que ter em mente que diversão mais prazer geram resultados satisfatórios.As escolas de equitação muito podem fazer para contribuir para a iniciação esportiva destas crianças trabalhando em conjunto com profissionais da área de psicologia do esporte e os mesmos atuando como consultores na prática da equitação, trabalhando em conjunto com instrutores e todos os envolvidos no esporte.
Busato, A.¹, Catenaci, U.², Culpi, F. S. ³; .Furquim, S. 4
1 Orientador do Projeto
2 Acadêmico do Curso de Ciências Eqüinas
3 Co-orientador
4 Colaborador
Curso de Ciências Eqüinas Pontifícia Universidade Católica do Paraná

16 de novembro de 2009

Fundamentos da Psicologia do Esporte aplicados ao Hipismo

Assim como outros animais, o cavalo teve seu processo evolutivo ligado à necessidade de adaptação para sobrevivência em seu meio. Seus caracteres físicos e padrões comportamentais o definem historicamente como “animal presa”. Seus tradicionais predadores são os carnívoros de grande porte de diferentes espécies. Seus órgãos dos sentidos especializaram-se na detecção de sinais de proximidade do inimigo e seu aparelho locomotor adquiriu excepcional mecânica para desenvolvimento de velocidade, tipificando-o como animal “fugidio”. A compreensão do funcionamento desses sistemas é fundamental para o alcance de bons resultados nas competições de hipismo. Assim, preferindo a fuga ao confronto com o inimigo, os eqüinos têm, na visão, no olfato e na audição, seus principais, rápidos e eficientes meios de percepção do perigo, responsáveis pelo acionamento de seus mecanismos de defesa (morder,manotear ou coicear e/ou fugir). A visão do cavalo é peculiar e seu primário detector de ameaças. O formato dos olhos, a distância entre eles e sua localização, o permitem enxergar de duas formas diferentes, a monocular e a binocular, abrangendo um campo de visão de quase 360 graus na horizontal (com uma área de visão nula atrás e um ponto cego imediatamente à frente dos olhos) e 180 graus na vertical. A despeito dessa amplitude, não conseguem enxergar com nitidez em todas as direções e distâncias, mas são extremamente sensíveis a variações e movimentos muitas vezes não perceptíveis ao homem, assustando-se com facilidade. Na busca de melhor ângulo visual, movimenta a cabeça para ajustar o foco, que é muito prejudicado em distâncias inferiores a 1.20m-1.30m (elevando a cabeça para ver objetos próximos e abaixando para enxergar objetos distantes).Com relação ao olfato dos eqüinos, sabe-se que seu tecido epitelial abrange área superior a 100 vezes a média do mesmo tecido encontrada nos humanos. Sua grande sensibilidade é usada para localizar e selecionar alimentos, para identificarem-se uns aos outros, bem como na percepção da hostilidade ou amigabilidade de outras espécies. Cavalos parecem, em geral, distinguir com facilidade feronômios e odores considerados ameaçadores em geral (como adrenalina, por exemplo), o que normalmente os deixa excitados e difíceis de controlar. O sentido da audição nos cavalos é particularmente bem desenvolvido e os auxilia tanto na detecção de predadores como na comunicação com membros do rebanho. É também uma excelente ferramenta para auxiliar no processo de treinamento do cavalo-atleta. Suas orelhas, localizadas no alto da cabeça,movem-se em quase todas as direções, permitindo-os dirigi-las diretamente à fonte emissora de sons. A detecção de ruídos não familiares, em geral pode amedrontá-los e produzir reações de fuga ou aparente rebeldia.Pesquisas desenvolvidas na Univers. de Nevada (Reno - USA) concluíram que o sistema auditivo nos eqüinos é mais sensível a sons de alta freqüência, enquanto Burton F. (em Ultimate Horse Care, publicado por Ringpress Books, 1999) acrescenta que nas freqüências médias (entre 2KHz e 4KHz) a capacidade de discriminação de variações em tons e alturas é otimizada. É também de capital importância na prática dos esportes hípicos, oconhecimento de alguns aspectos da percepção tátil dos cavalos, uma vez que, nas competições, o principal meio de comunicação usado pelos cavaleiros é a transmissão de sinais através de suas pernas, mãos e assento. Esses sinais são chamados de “ajudas” e, utilizados corretamente, podem fazer o animal mover-se nos três andamentos básicos (passo, trote e galope), parar, mudar de direção, saltar obstáculos e executar exercícios atléticos em geral, da mesma forma que seu uso inadequado possivelmente gera reações negativas, movimentos não desejados, desequilíbrio, perda de sensibilidade e, inevitáveis penalizações nos concursos.Outra relevante característica comportamental dos cavalos é sua alta sociabilidade , visto que, originalmente, viviam em ebanhos com dominação hierárquica claramente estabelecida. Animais submissos em sua maioria,parecem aceitar facilmente o homem como seu líder, desde que este o trate com respeito e lhe transmita confiança.

Interações Psicológicas entre Cavalo e Cavaleiro

Os principais estudos sobre aprendizagem e adestramento de animais da espécie eqüina baseiam-se em teorias de “reforço-estímulo-resposta” (tentativa e erro). Embora a grande maioria dos treinadores e cavaleiros continue aplicando predominanantemente reforços negativos (chicote, esporas, embocaduras) para alcançar seus objetivos atléticos, as pesquisas apontam para a maior eficiência da prática da recompensa (ou reforço positivo) pelas respostas corretas. Ignorar respostas não desejadas também conduz a melhores resultados do que aplicar punições, visto que estas geram desconfiança e medo.Tais procedimentos, normalmente levam à diminuição dos erros e até à sua quase extinção. Dada a dificuldade de utilização dos chamados reforços positivos primários durante o cavalgar, pode-se aplicar técnicas de associaçãodestes com estímulos tácteis ou verbais (por exemplo, repetir determinado som ao alimentar o animal). Os reforços devem ser aplicados durante ou imediatamente após a ocorrência da resposta desejada (um bom salto, por exemplo), caso contrário o estímulo poderá reforçar a atitude seguinte (por exemplo, o descanso após um percurso de saltos bem sucedido). Por essa razão a utilização da “gratificação sonora” é, geralmente, mais viável do que a táctil (o tradicional tapinha no pescoço). Deve-se também observar que a freqüência variável de administração de reforços mostra-se mais eficiente que a sua aplicação continuada. Por outro lado, o grau de dificuldade dos exercícios propostos deve ser progressivo e parcimonioso, a fim de não gerar grande incidência de respostas negativas nem provocar acidentes, o que geralmente induz o animal à perda confiança e o conseqüente descrédito do treinador ou cavaleiro como seu “líder”. Outra prática bastante comum que deve ser evitada é a de realizar sessões únicas diárias de treinamento de longa duração, pois a freqüência de boas respostas diminui proporcionalmente ao aparecimento de sinais de cansaço do animal (e também do cavaleiro), assim como longos períodos de permanência em confinamento (na cocheira, por exemplo) levam ao desenvolvimento de taras e vícios indesejáveis (coicear as paredes, morder e “engolir ar”, manotear o chão, por exemplo).Com relação ao cavaleiro e/ou treinador, há alguns aspectos relevantes a considerar: As chamadas “ajudas”, de mãos, pernas e assento são os principais meios de comunicação com o cavalo e devem ser claras, precisas, consistentes e transmitir propostas de execução viável, para não gerar dúvidas, insegurança ou reações adversas;Ao aplicar tais “ajudas”, o cavaleiro freqüentemente provoca desconfortos (ou até dor e ferimentos) nos sensíveis pontos de contacto com o cavalo, especialmente a boca e os flancos, logo, estas devem ter a intensidade apenas necessária para produzir o efeito desejado e aliviadas imediatamente após, a fim de produzir o efeito de reforço positivo da atitude do animal e levá-lo ao entendimento da tarefa; A ansiedade e as tensões do cavaleiro são imediatamente percebidas pelo cavalo através do olfato (a descarga de adrenalina, por exemplo, o faz sentir-se na iminência de ataque) e do tato (a rigidez da parte superior do tronco passa pelos braços e mãos do cavaleiro e atinge a boca do cavalo, bem como a instabilidade das pernas faz com que as esporas agridam seus flancos), transmitindo-lhe intranqüilidade e medo; Por ocasião de concursos, com o incremento da tensão do cavaleiro (pela situação de competição) e do cavalo (pela presença de elementos estranhos ao seu “rebanho”, ocorrência de ruídos e alterações no campo visual), maximizam-se os efeitos negativos (que interagem entre cavalo e cavaleiro), com conseqüente e significativa queda no desempenho do conjunto. O desempenho dos conjuntos cavaleiro/cavalo nos esportes hípicos depende da compreensão de múltiplos fatores que vão muito além das características biomecânicas específicas de cada modalidade, entre os quais destaca-se a íntima relação psicológica entre dois atletas de diferentes constituições físicas e mentais, empenhados num mesmo objetivo, dirigidos porém, pela vontade de apenas um deles; Ainda pouco utilizada no meio hípico, a Psicologia do Esporte pode ser de grande utilidade no aprimoramento qualitativo do relacionamento cavaleiro/cavalo, seguindo-se o tão desejado aumento do rendimento em competições; As técnicas de treinamento de habilidades psicológicas mais recomendadas para atletas de hipismo são as de controle de respiração e de relaxamento progressivo (para redução de ansiedade) e as de mentalização (para controle de adversidades e melhora de concentração), enquanto para cavalos com distúrbios comportamentais, utiliza-se com sucesso técnicas de dessenssibilização pós-traumática;A abordagem do especialista em Psicologia do Esporte pode ser feita de forma direta ou através do treinador, mas deve sempre considerar o conjunto cavaleiro-cavalo, as peculiaridades de cada um e as relações entre eles. Os instrutores devem considerar, ainda, as técnicas de “feedback” positivo, ao se relacionar com alunos cavaleiros.

13 de novembro de 2009

O Jogo de Polo na Equoterapia

O polo é um esporte no qual quatro jogadores por equipe montados em cavalos e golpeando um bola com um taco, tentam marcar o máximo de gols possíveis no arco da equipe rival. Os jogos são disputados em quatro tempos de sete minutos e meio, denominados chukkas.O principal objetivo do polo é conseguir marcar o maior número de gols em comparação ao seu adversário, acertando uma bola de 8 centímetros de diâmetro com um taco de 3 metros de comprimento, e fazendo-a entrar numa baliza com 7,3 metros de largura. As medidas de um campo de polo são de 275x180m, e os cavalos utilizados caracterizam-se por ter uma altura que varia entre 1,52 metros e 1,60 metros. A bola para jogar polo é branca e feita de madeira ou plástico. O taco é de cana de bambu . O jogo é disputado por duas equipes com 4 elementos cada. Estes elementos encontram-se numerados de acordo com as posições que ocupam no campo de jogo, sendo o nº1 e nº2 atacantes, o nº3 meio de campo e o nº4 defensor. Um jogo de polo dura pouco menos de uma hora, e é dividido por períodos chamados chukkas. Conforme o nível de jogo, podem variar de 4 a 6 chukkas por partida. Cada chukka tem duração de 7,5 minutos e é feito um intervalo de 3 minutos entre os chukkas. Na metade da partida é feita uma pausa de 5 minutos. Os cavalos devem ser trocados a cada chukka e só podem ser utilizados 2 vezes no mesmo jogo, podendo ser eliminados durante a partida se a sua condição física for julgada insatisfatória num dos controles veterinários que ocorrem durante a prova. Os jogos são controlados por dois juízes montados a cavalo e um árbitro que permanece fora do campo, que é consultado pelos anteriores em caso de dúvida. Os jogadores são avaliados e classificados porhandicaps numa escala de -2 a 10, sendo -2 um iniciante e 10 um jogador perfeito. Jogadores com handicap igual ou superior a 2 são considerados profissionais. Esta avaliação não é atribuída de jogo para jogo, mas sim no final de cada época. O polo tem uma particularidade que o diferencia dos outros esportes, que consiste no fato de as equipes terem de mudar de campo, e consequentemente de baliza, a cada gol que marcam. Isto acontece para que nenhuma das equipes seja beneficiada do estado do campo e das condições atmosféricas.

Técnicas do Taqueio de Polo Aplicadas a Equoterapia

Este artigo tem como enfoque dois praticantes de equoterapia que tiveram acrescidas em suas sessões, técnicas do jogo de pólo. O primeiro, do sexo masculino, na faixa etária entre 10 e 11 anos, portador de Paralisia Cerebral apresentava falta de concentração, e problema na visão, fazendo com que tivesse dificuldade em calcular a distância e a profundidade dos objetos que porventura estivessem a sua frente como por exemplo, um degrau de escada ou a sarjeta da rua, conseqüentemente com a junção dos dois problemas, tinha grande deficiência de equilíbrio; a segunda praticante estava com a idade de 13 para 14 anos, teve indicação de equoterapia para melhoramento do condicionamento físico, correção de postura e equilíbrio, devido a uma doença degenerativa dos músculos hoje, controlada; em comum com o primeiro praticante tinha também problemas de visão mas, com menor gravidade. O método a ser aplicado consiste em utilizar o tratamento da equoterapia, que é a utilização do cavalo como agente cinesioterapêutico onde, se deslocando ao passo, o animal produzirá um andar tridimensional muito semelhante ao andar humano, o qual será transmitido por inércia a quem estiver sobre seu dorso e fará o praticante buscar naturalmente, o equilíbrio para não cair do animal pois, estará sendo deslocado na ordem de até 5 centímetros, para cima e para baixo, para um lado e para o outro, para frente e para trás, e ainda acompanhando o movimento do dorso do cavalo, também sofrerá uma leve rotação da cintura pélvica, na ordem de 8 graus formando assim, o denominado movimento tridimensional. Desta forma, o praticante estará recebendo continuamente e de forma muito semelhante, estímulos em seu complexo muscular e terminações nervosas na ordem de 180 oscilações por minuto. Cientificamente comprovada ser a mais indicada para a saúde, sendo também estimulado o senso de equilíbrio que por um motivo ou outro, não possa ser trabalhado. Somando-se a isto, associaremos técnicas do taqueio do jogo de pólo a cavalo. O jogo de pólo possui quatro tacadas básicas normalmente, executas com o taco na mão direita devendo para os fins equoterápicos, o taco ser trocado de mão para que o praticante possa trabalhar os dois lados do seu corpo, bastando que sejam invertidos os movimentos. Necessário ressaltar que no jogo de pólo, os cavalos estarão encilhados e os jogadores dependerão muito do apoio dos estribos para maior precisão e alcance das tacadas; mas, precisão e alcance são irrelevantes para os fins da prática da equoterapia sendo que, o praticante poderá estar montado apenas utilizando manta, com ou sem cilhão e estribos. A primeira tacada é para frente, com a bola pelo lado direito do cavalo. O praticante deverá caso esteja montado com sela, apoiar-se no estribo para obter maior rotação do tronco; o antebraço e o braço devem permanecer em linha reta durante todo o movimento que começará quando o jogador, olhando para a bola, deslocará sua mão para trás e para cima do nível superior de sua cabeça. No mesmo instante, seu ombro direito e o braço se estendem ao máximo em cima da cabeça. Quanto mais potência se pretende da tacada, mais alta deverá ser a mão direita acima da cabeça. (Fotos 1, 2 e 3) . A segunda tacada também é para frente, com a bola pelo lado esquerdo do cavalo, o taco à esquerda do pescoço do cavalo deverá ser deixado cair para baixo e para frente. O praticante deverá girar o tronco em torno da cintura para a esquerda, deslocando o ombro direito o quanto puder; dependerá para isto do arreamento que estiver usando durante a sessão tentando colocar a linha dos ombros paralela à direção que se pretenda deslocar a bola. Nesta tacada, quando executada de maneira correta, o praticante ao girar os ombros, deverá sentar-se sobre a coxa esquerda, simultaneamente elevará a mão direita até a altura da face esquerda. (Fotos 4, 5 e 6) . A tacada para trás, com a bola para o lado direito do cavalo, é o terceiro modo de taqueio. O "back", como são conhecidas as tacadas em que ao bater na bola, a mesma será impulsionada no sentido cabeça-anca do cavalo o praticante dobrará ligeiramente seu corpo para a esquerda, suspendendo-se nos estribos caso esteja usando ficando sentado sobre a coxa direita. Ao mesmo tempo, o ombro direito apontará para frente e para baixo na direção da bola, enquanto a mão direita se eleva até a altura da cabeça, deixando o taco sensivelmente caído sobre o ombro esquerdo. Após armada a tacada, o taco desce em direção a bola. (Fotos7,8 e 9) . A última das tacadas básica é para trás, com a bola pelo lado esquerdo do cavalo, assim, o praticante deverá trazer a mão direita para o lado esquerdo do pescoço do cavalo. Caso esteja montado com sela, o praticante deverá suspender-se nos estribos, girando o ombro direito para frete do cavalo e o ombro esquerdo para trás, de modo que a linha dos ombros fique sensivelmente paralela à direção em que se quer taquear a bola. Ao mesmo tempo, o praticante erguerá seu braço direito quase que verticalmente, estendendo-o ao máximo e inclinando o taco para trás do braço. Estando nesta posição, bastará descer o taco passando rente ao pescoço do cavalo em direção da bola. (Foto 10, 11 e 12) . Conclusão : A prática da equoterapia constante e regular, por si só, já é um excelente método terapêutico para aquele que de alguma forma necessite de um tratamento diferenciado pois, o praticante estará recebendo tratamento especializado e sendo orientado por uma equipe interdisciplinar ao mesmo tempo em que sua atenção estará voltada para um local diferente dos consultórios convencionais pois, o praticante estará montando e muitas vezes conduzindo um animal muito maior do que ele. Os praticantes mencionados já praticavam equoterapia há algum tempo sem comprometimento cognitivo, com rapidez de raciocínio e de pequeno comprometimento físico. Estavam necessitando de um maior atrativo para que as sessões de equoterapia não se tornassem maçantes e cansativas assim, ao serem introduzidas técnicas de taqueio do jogo de pólo, esses praticantes tiveram grande desenvolvimento do condicionamento físico como também no equilíbrio pois, para taquear é necessário muita concentração para que se possa acertar a bola uma vez que, tanto o binômio cavalo/cavaleiro e a bola poderão estar: estáticos, deslocando-se no mesmo sentido, ou a inda em sentido contrários. Outro fator observado, foi a melhora de percepção dos objetos ou obstáculos pois, para que se acerte a tacada, é necessário que se tenha a noção exata da distância, da bola, com o tempo e sincronismo de todo os movimentos de rotação do tronco, braço e ante-braço que conduzirá o taco ao encontro da bola, sendo trabalhado neste aspecto, o ajuste fino de coordenação motora e novamente o equilíbrio. A equoterapia não é um esporte mas sim, um tratamento em que uma equipe interdisciplinar deverá atuar em comum acordo. Todas as adaptações e cuidados deverão ser tomados, respeitados os limites de cada praticante, para que a sua integridade física e psicológica não sejam agredidas ou desrespeitadas.

Carlos Odilon Vetrano de Queiroz - 1º Sargento do Exército Brasileiro da Arma de Cavalaria, trabalha com equoterapia desde 1994, serve atualmente no 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado em BELA VISTA-MS .

http://www.equoterapia.org.br/trabalho_ver.php?indice=71

11 de novembro de 2009

A Influência Rítmica do Volteio na Reabilitação

Volteio tem como a meta principal iniciar as crianças e jovens em geral nas artes eqüestres e a continuação de sua prática até níveis de competição. Pode ser praticada em equipes, dupla ou individualmente. Por esta disciplina desenvolvem os volteadores:Equilíbrio , Sincronismo e leveza , Respeito pelo animal . Conhecimento do Cavalo , Integração com o movimento do cavalo , Solidariedade , Altruismo e Espírito de Equipe . Competidores diretos freqüentemente participam com o mesmo cavalo, o que não impede uma rivalidade saudável com cooperação mútua antes e depois da competição. Os volteadores devem executar os exercícios com leveza, fluência, dando a impressão de facilidade e formando um conjunto harmônico com o cavalo, sem isto que afete suas andaduras com as posições diferentes dos volteadores. (Regulamento Oficial de Volteio - CBH) . O volteio é definido como uma atividade que envolve exercícios característicos da ginástica artística, dinâmicos, estáticos além de acrobáticos combinados a elementos da dança sobre o cavalo ao galope. Consiste em uma variedade de exercícios obrigatórios e livres executados individualmente, em duplas ou trios, o que pode oferecer diversas idéias de novos movimentos, combinações e variações. De qualquer maneira, mesmo quando executado individualmente, o volteio é caracterizado por um trabalho de equipe, considerando que o volteador, o longeure o cavalo formam uma equipe e dependem mutuamente um do outro. Esta união permite ao volteador ajustar-se ao movimento e ritmo do cavalo, caso contrário, nenhum exercício poderá ser harmoniosamente realizado .As séries de volteio seguem um critério estético, em que são utilizadas as capacidades físicas específicas para a realização da técnica correta dos exercícios, que devem estar em plena harmonia com a interpretação coreográfica e com o acompanhamento musical .Enquanto atividade motora, pode ser desenvolvido em diversas áreas de abrangência atingindo as dimensões:Competitiva, desta forma, o Volteio será desenvolvido de maneira a proporcionar a preparação de atletas em 4 níveis: técnica, artística, física e psicológica. Educacional, neste caso volteio pode contribuir no aumento do acervo motor e da experiência de movimento, diferenciando-se principalmente pela superfície instável, determinada pelo cavalo nas três andaduras (passo, trote e galope), melhorando especialmente as habilidades de estabilização. Além disso, a presença do cavalo como um animal de grande porte impõe respeito, fazendo com que o aprendiz adote determinadas posturas diante do cavalo, disciplinando-a e facilitando o trabalho do educador que, desde o início, deve ressaltar o trabalho em grupo, o espírito de equipe com ajuda mútua ao subir, descer do cavalo e durante a realização de novas figuras que ainda não estejam totalmente aprendidas no cavalo em movimento, assim como no cuidado com o cavalo e com o material utilizado em aula. O aluno deve aprender a respeitar e considerar o cavalo como o mais importante membro da equipe. De acordo com Rieder (1994), isto torna o volteio uma atividade que ajuda a formar personalidades. O volteio desenvolve as habilidades básicas, combinadas e seriadas, durante as diversas subidas, descidas e movimentos sobre o cavalo. As habilidades específicas são desenvolvidas na execução dos exercícios obrigatórios. As capacidades físicas e habilidades motoras são trabalhadas em todas as dimensões do volteio e sempre que possível deve-se utilizar a música desenvolvendo o ritmo e a interpretação musical; Recreação e lazer, o volteio pode ser utilizado como recreação e lazer independente da aptidão física e idade, estimulando a criatividade e aproveitando os movimentos mais simples, já que não visa a performance. Quando realizados sobre o cavalo em movimento, tornam-se um desafio, executados individualmente ou em duplas, torna-se também uma atividade muito atraente e divertida; Iniciação à equitação, o volteio também é uma forma de iniciação à equitação, sendo que o cavaleiro que inicia-se no hipismo através do volteio tende a adquirir maior confiança no cavalo, boa postura nas três andaduras (passo trote e galope) e equilíbrio; Militar, seguindo ainda hoje os objetivos historicamente apresentados, onde o policial utiliza-o para adquirir melhor controle e equilíbrio do corpo em determinadas circuntâncias. Adaptada, o Volteio junto à equitação pode ser amplamente utilizado com portadores de deficiências ou como uma nova disciplina, auxiliando no desenvolvimento das principais capacidades e habilidades motoras, psicológicas e cognitivas .

A Influência Rítmica do Volteio Terapêutico na Reabilitação
Volteio é uma modalidade eqüestre de técnica e equilíbrio, que tem como objetivo o aprimoramento da harmonia e do sincronismo com o cavalo em movimento. É uma atividade adaptável que une a prática do exercício físico ao interesse pelos cavalos, considerando que o volteador e o cavalo formam uma equipe e dependem mutuamente um do outro. A união permite ao volteador ajustar-se ao movimento e ritmo do cavalo, harmonia também exigida nas funções globais do indivíduo, auxiliando no desenvolvimento das principais capacidades e habilidades motoras, psicológicas e cognitivas.Objetivo: Avaliar a evolução funcional e emocional do indivíduo no decorrer das sessões com a utilização do volteio terapêutico. Métodos: Aplicou-se como método de avaliação a Medida de Independência Funcional (MIF) composta por dezoito itens com cotação máxima de sete pontos e mínima de um ponto, sendo que esta é fundamental para que as alterações funcionais sejam observadas com sensibilidade suficiente. Resultado e Conclusão: De acordo com os dados obtidos através da Medida de Independência Funcional, pôde-se concluir que o volteio terapêutico torna-se uma técnica de reabilitação física adaptável com primacia em ritmo e harmonia de movimentos, que visa otimizar as atividades de vida diária, a auto-estima e confiança de cada indivíduo.Foram analisadas as figuras de volteio, individualmente correlacionadas com seus prováveis benefícios motores e terapeuticamente adaptadas. Estas posturas foram aplicadas em quatro pacientes com idades entre 14 e 26 anos, portadoras de encefalopatia crônica não-progressiva e paraparesia espástica familiar.A paraparesia espástica familiar (PEF) constitui um grupo de doenças neurodegenerativas, sendo genética e clinicamente heterogênea, caracterizada por hiper-reflexia e espasticidade progressivas dos membros inferiores. A encefalopatia crônica não-progressiva é uma condição clínica e etiologicamente heterogênea, que se caracteriza por alterações do tônus muscular, da postura e dificuldades funcionais nos movimentos. Pode gerar movimentos involuntários, alterações do equilíbrio, da marcha, da fala, da visão, da audição, da expressão facial e em casos mais graves pode haver comprometimento mental (Nitrini et al, 2003) Embasado nestes conceitos, este artigo foi elaborado com o objetivo de aplicar o volteio terapêutico e a música como recurso auxiliar para estimular experimentação sensorial, o ritmo, o desenvolvimento motor e a sociabilização de portadores de necessidades especiais. Foi possível então avaliar a evolução funcional e emocional, através do método de avaliação da Medida de Independência Funcional (MIF), que possui estimativas importantes sobre os domínios da atividade quotidiana de um indivíduo.
Descrição dos exercícios obrigatórios :Base ;Na posição básica, o volteador deve estar sentado imediatamente atrás do cilhão, olhando para a frente, com uma perna de cada lado da coluna do cavalo, segurando uma alça do cilhão em cada mão. A pelve deve acompanhar o movimento do cavalo. Os MMII devem envolver o cavalo, em contato suave. Os pés devem apontar para o solo, mantendo o alinhamento da perna, o dorso do pé deve estar apontado para a frente. Variação: o volteador mantém a posição básica com abdução dos membros superiores. Os MMSS, pescoço e ombros devem estar alongados elasticamente, e não devem ser rígidos. Atividade Motora: melhora equilíbrio de tronco, principalmente com o auxílio da variação do exercício; melhora na postura e absorção da oscilação do cavalo ao passo; o cavalo em círculo, conduzido por guia longa, favorece as reações de proteção e endireitamento do indivíduo. Adaptação: correção postural, não utilização do cilhão por encurtamento da musculatura adutora, espasticidade e/ou déficit de força muscular.Variações com os membros superiores para maior recrutamento de equilíbrio e coordenação motora. Manter a dorsiflexão em casos de inibição de padrão patológico.Moinho ;A partir da posição básica, o volteador executa uma rotação completa sobre o cavalo, em quatro fases de tempo iguais. Fase 1 : a perna externa passa sobre o pescoço do cavalo (externa em relação a parte interior do círculo), cada alça é largada e retomada à medida que a perna passa por ela. Esta fase termina com o volteador sentado de lado voltado para o interior do círculo, sobre o quadril, pernas unidas envolvendo o cavalo. Fase 2 : a outra perna passa então sobre a garupa do cavalo, termina com o volteador sentado na posição básica invertida. Fase 3 : a perna interna passa sobre a garupa do cavalo, e o volteador senta de lado voltado para o exterior do círculo. Fase 4 : a perna que está junto ao cilhão passa sobre o pescoço do cavalo, cada alça é largada e retomada à medida que a perna passa por ela, termina com o volteador na posição básica. O moinho é executado com ritmo de contagem em quatro tempos, cada perna deve descrever um arco uniforme e amplo, idealmente na vertical. A cabeça e os ombros devem acompanhar a rotação de cada perna com manutenção de postura.Atividade Motora: ritmo, coordenação motora, fortalecimento muscular (músculos adutores e abdutores de quadril, flexores de quadril e abdominal).Adaptação: as alças do cilhão podem ser de tamanho menor e evoluírem para as de tamanho normal, devido à presença de encurtamento muscular e/ou espasticidade. Pode ser realizado primeiramente com o auxílio de um terapeuta lateral durante as transferências com o cavalo parado, evoluindo para a realização das mudanças de postura com o cavalo em movimento.Ajoelhado / Estandarte; A partir da posição básica, o volteador passa à posição ajoelhada. Suavemente, com os dois joelhos simultaneamente, o dorso dos pés, os tornozelos e após estes os joelhos devem tocar a garupa do cavalo. O volteador deve estar sempre olhando para a frente, a perna externa deve cruzar diagonalmente sobre a coluna do cavalo, com o pé interno do volteador colocado no lado externo também. O peso deve estar distribuído uniformemente através da perna, tornozelo e dorso do pé, o joelho interno deve estar ligeiramente à frente da coxa, a fim de auxiliar o joelho e quadril a absorverem suavemente o movimento do cavalo. A perna externa é então estendida, a fim de que o pé fique colocado acima da linha horizontal formada através dos ombros e quadril do volteador, ao mesmo tempo o braço interno é alongado para a frente. A planta do pé externo deve estar virada para cima e a palma da mão interna para baixo, com os dedos fechados. A mão externa permanece na alça, com o braço ligeiramente flexionado para absorver o movimento do cavalo. A silhueta do volteador deve formar um arco suave e equilibrado, desde a ponta dos dedos da mão até os dedos do pé. O eixo longitudinal do corpo do volteador deve estar no mesmo alinhamento da coluna do cavalo.Atividade Motora: descarga de peso, equilíbrio dinâmico, fortalecimento muscular (músculos flexores de quadril, glúteo médio e mínimo, paravertebrais), reações de proteção e endireitamento, noção espacial, lateralidade, postura. Adaptação: o exercício pode ser iniciado no colchonete, depois no barril e/ou com o cavalo parado e com as mãos nas alças, evoluindo para a liberação das mãos alternadamente. A evolução do ajoelhado é o estandarte que pode ser feito primeiramente sem a liberação das mãos, apenas com a extensão de uma perna e evoluir para a retirada e extensão do braço contralateral; pode ser realizado no colchonete e no barril como preparação para o movimento.Em Pé ; A partir da posição básica, o volteador passa suavemente à posição de joelhos simultaneamente com as duas pernas, o dorso dos pés, o tornozelo e os joelhos devem tocar as costas do cavalo suavemente. Imediatamente o volteador transfere o peso do corpo para os braços e pula para de pé, apoiando-se na planta dos pés, que devem estar apontando para a frente. Para compensar o movimento em círculo do cavalo, a descarga de peso deve estar no pé interno do volteador. A evolução do exercício é extensão de tronco e encaixe de quadril; quando estiver em equilíbrio com o movimento tridimensional do cavalo solta as alças e eleva os ombros até chegar à posição vertical, quando então abre os braços lateralmente. O movimento do cavalo é absorvido pelos tornozelos, joelhos e quadril do volteador; seu peso deve estar bem distribuído na planta dos pés, que devem estar em contato total com o cavalo (Paes et al, 2001).Atividade Motora: adequação tônica, descarga de peso, equilíbrio dinâmico, fortalecimento muscular de MMII, reações de proteção e equilíbrio, postura. Adaptação: é uma das figuras mais difíceis, pois requer maior concentração e habilidade motora. Pode ser realizada com um terapeuta montado na cernelha e/ou dois terapeutas laterais, com o cavalo parado ou em barril de volteio para adaptar o indivíduo à postura; pode-se iniciar esta postura com o cavalo ao passo e em direção linear. O cavalo em círculo seria uma evolução do exercício porque exige do volteador maior habilidade e equilíbrio.
Resultados & Conclusão
Cada um dos dezoito itens da MIF tem uma cotação máxima de sete pontos e a cotação mínima é de um ponto. A cotação mais elevada é, portanto, de 126 e a mais baixa é de 18. A cotação em sete níveis é fundamental para que as alterações funcionais sejam observadas com uma sensibilidade suficiente. Avaliação de Medida de Independência Funcional ;
Resultados B.G M.H A.S V.S
Ano 1 106 120 98 96
Ano 2 111 125 102 103
Os quatro indivíduos analisados obtiveram uma boa média nos resultados da M.I.F, que foi utilizada como parâmetro para a iniciação do volteio terapêutico. Ao final do estudo todos os indivíduos aumentaram significativamente suas médias. Ao analisarmos os resultados, consideramos então a evolução dos indivíduos nos aspectos geral, ritmo, desenvolvimento e sociabilização. No aspecto geral os resultados foram satisfatórios, pois ao final do primeiro ano conseguimos elaborar, montar e apresentar uma coreografia. A coreografia foi montada com a colaboração dos indivíduos, que também escolheram a música a ser trabalhada. No aspecto ritmo pôde-se observar melhoras funcionais, pois os indivíduos conseguiram adquirir habilidades para acompanhar a marcação de tempo nos exercícios propostos por palmas e contagem numérica realizada pelo terapeuta. Em relação ao desenvolvimento motor, foram observadas melhoras significativas, pois verificamos que os movimentos utilizados na coreografia foram automatizados e memorizados, sendo realizados com harmonia e equilíbrio. Em relação à sociabilização, no início todos os indivíduos otimizaram a idéia, porém houve um caso de rejeição às terapias em dupla. Foi possível visualizar a melhora na auto-estima por meio da crescente preocupação das alunas com o asseio pessoal e com o visual. Conclusão ; O desenvolvimento de um indivíduo normal depende de sua capacidade de movimentar-se e experimentar sensações. As experiências favorecem a assimilação de novas estruturas, ou seja, o ato motor promove aprendizagens que facilitarão futuras aquisições básicas (Zaniolo e Kubo, 1993). Segundo Bobath, o desenvolvimento perceptual e visuomotor do indivíduo é influenciado pelo seu desenvolvimento motor; portanto, se ocorrerem dificuldades na movimentação e exploração do próprio corpo, ocorrerão dificuldades no seu desenvolvimento global (Bobath, 1990). Os indivíduos portadores de necessidades especiais exploram e relacionam-se pobremente com seu próprio corpo e com o meio externo, devido às dificuldades na execução dos movimentos, dificultando assim a aquisição de novas habilidades e experiências. As atividades rítmicas permitem ao indivíduo expressar o movimento e o seu estado de ânimo momentâneo. Por intermédio de atividades rítmicas é possível realizar contração e relaxamento muscular, forte ou fraco, rápido ou lento, com velocidade acelerada ou diminuída e com durações diferentes (M.P.E., 1990).Estas atividades desenvolvidas com portadores de necessidades especiais têm como objetivos proporcionar prazer, estimular a experimentação de movimentos livres, naturais e específicos para que possam expressar a alegria do movimento, desenvolver a capacidade de concentração e preparar-se para as atividades de vida diária (Holle, 1976). O Volteio como recurso terapêutico tem como objetivo desenvolver movimentos rítmicos, a coordenação motora, a harmonia e controle de movimentos, postura, propriocepção e reações de equilíbrio criando habilidades motrizes básicas e artísticas. A partir dos resultados alcançados acreditamos que com a música e o volteio terapêutico possibilitamos, a estes indivíduos, experiências novas e agradáveis estimulando suas vias sensoriais e motoras e conseqüentemente um desenvolvimento psicomotor mais próximo dos padrões da normalidade.

XII Congresso Brasileiro de Equoterapia Autor: Adriana Perdigão - Brasil Co-autores: Érika Quartim; Rebeca Santos

4 de novembro de 2009

FEI - Rules for Dressage


Article 411 LEG-YIELDING
1. The aim of leg yielding: To demonstrate the suppleness and lateral responsiveness of the horse.
2. Leg-yielding is performed in working trot in FEI competitions. The horse is almost straight, except for a slight flexion at the poll away from the direction in which it moves, so that the athlete is just able to see the eyebrow and nostril on the inside. The inside legs pass and cross in front of the outside legs.
Leg-yielding should be included in the training of the horse before it is ready for collected work. Later on, together with the more advanced shoulder-in movement, it is the best means of making a horse supple, loose and unconstrained for the benefit of the freedom, elasticity and regularity of its paces and the harmony, lightness and ease of its movements. Leg yielding can be performed “on the diagonal” in which case the horse should be as nearly as possible parallel to the long sides of the arena, although the forehand should be slightly in advance of the hindquarters. It can also be performed “along the wall” in which case the horse should be at an angle of about 35 degrees to the direction in which he is moving.

Article 412 LATERAL MOVEMENTS
1. The main aim of lateral movements – except leg-yielding - is to develop and increase the engagement of the hindquarters and thereby also the collection.
2. In all lateral movements - shoulder-in, travers, renvers, and half-pass, the horse is slightly bent and moves on different tracks.
3. The bend or flexion must never be exaggerated so that it does not impair the rhythm, the balance and fluency of the movement.
4. In the lateral movements, the pace should remain free and regular, maintaining a constant impulsion, yet it must be supple, cadenced and balanced. The impulsion is often lost because of the athlete’s preoccupation with bending the horse and pushing it sideways.
5. Shoulder-in. The shoulder-in is performed in collected trot. The horse is ridden with a slight but uniform bend around the inside leg of the athlete maintaining engagement and cadence and a constant angle of approx. 30 degrees. The horse’s inside foreleg passes and crosses in front of the outside foreleg; the inside hind leg steps forward under the horse’s body weight following the same track of the outside foreleg, with the lowering of the inside hip. The horse is bent away from the direction in which it is moving.
6. Travers. Travers can be performed in collected trot or collected canter. The horse is slightly bent round the inside leg of the athlete but with a greater degree of bend than in shoulder-in. A constant angle of approximately 35 degrees should be shown (from the front and from behind one sees four tracks). The forehand remains on the track and the quarters are moved inwards. The horse’s outside legs pass and cross in front of the inside legs. The horse is bent in the direction in which it is moving. To start the travers, the quarters must leave the track or, after a corner or circle, are not brought back onto the track. At the end of the travers, the quarters are brought back on the track (without any counter-flexion of the poll/neck) as one would finish a circle. Aims of travers: To show a fluent collected trot movement on a straight line and a correct bend. Front and hind legs are crossing, balance and cadence are maintained.
7. Renvers. Renvers is the inverse movement in relation to travers. The hindquarters remain on the track while the forehand is moved inward. To finish the renvers the forehand is aligned with the quarters on the track. Otherwise, he same principles and conditions that apply to the travers are applicable to the renvers. The horse is slightly bent around the inside leg of the athlete. The horse’s outside legs pass and cross in front of the inside legs. The horse is bent in the direction in which it is moving. Aims of renvers: To show a fluent collected trot movement on a straight line with a greater degree of bend than in shoulder-in. Fore and hind legs cross, balance and cadence are maintained.
8. Half pass. Half-pass is a variation of travers, executed on a diagonal line instead of along the wall. It can be performed in collected trot (and in passage in a freestyle) or collected canter. The horse should be slightly bent around the inside leg of the athlete and in the direction in which it is moving. The horse should maintain the same cadence and balance throughout the whole movement. In order to give more freedom and mobility to the shoulders, it is of great importance that the impulsion be maintained, especially the engagement of the inside hind leg. The horse’s body is nearly parallel to the long side of the arena with the forehand slightly in advance of the hindquarters.
In the trot, the outside legs pass and cross in front of the inside legs. In the canter, the movement is performed in a series of forward/sideways strides. Aims of half-pass in trot: To show a fluent collected trot movement on a diagonal line with a greater degree of bend than in shoulder-in. Fore and hind legs cross, balance and cadence are maintained. Aims of the half-pass in canter: To both demonstrate and develop the collection and suppleness of the canter by moving fluently forwards and sideways without any loss of rhythm, balance or softness and submission to the bend.
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CLÁUSULA 411 - CESSÃO A PERNA
1. O objetivo da cessão a perna é demonstrar a flexibilidade e a sensibilidade lateral do cavalo.
2. A cessão a perna é executada no trote de trabalho em competições da FEI. O cavalo está quase ereto, exceto por uma pequena flexão na nuca na direção oposta em que está se movimentando, de maneira que o cavaleiro possa enxergar a sobrancelha e a narina do lado de dentro. As pernas de dentro passam e cruzam em frente das pernas de fora.

A cessão a perna deve ser introduzida no treinamento do cavalo antes que esteja pronto para o trabalho reunido. Mais tarde, juntamente com o movimento mais avançado de espádua dentro, é a melhor maneira de tornar o cavalo flexível, solto e descontraído em benefício da liberdade, elasticidade e regularidade de suas andaduras e da harmonia, leveza e facilidade de seus movimentos. A cessão a perna pode ser executada “na diagonal”; neste caso, o cavalo deve estar o mais paralelo possível aos lados maiores do picadeiro, embora a antemão deva estar um pouco adiante dos posteriores. Também pode ser executada “na parede”; neste caso, o cavalo deverá estar em um ângulo de aproximadamente 35 graus na direção em que está se movimentando.

CLÁUSULA 412 - MOVIMENTOS LATERAIS
1. O maior objetivo dos movimentos laterais – com exceção da cessão a perna – é desenvolver e aumentar o engajamento dos posteriores e assim também a condição de estar “na mão”.
2. Em todos os movimentos laterais – espádua para dentro, travers, renvers e apoio, o cavalo está ligeiramente inclinado e se movimenta em linhas diferentes.
3. A inclinação ou a flexão nunca devem ser exageradas para que nãoimpeçam o ritmo, o equilíbrio e a fluência do movimento.
4. Nos movimentos laterais, a andadura deverá permanecer livre e regular, mantendo uma impulsão constante, mas ao mesmo tempo deve ser flexível, cadenciada e equilibrada. A mpulsão muitas vezes se perde por causa da preocupação do cavaleiro em curvar o cavalo e empurrá-lo de lado.
5. Espádua para dentro. A espádua para dentro é executada num trote reunido. O cavalo é conduzido com um ligeiro encurvamento em torno da perna de dentro do cavaleiro, mantendo o engajamento e a cadência em um ângulo de aproximadamente 30 graus. O anterior de dentro passa e cruza em frente do posterior de fora; o posterior de dentro avança para frente e debaixo do peso corporal do cavalo seguindo a mesma linha do antemão de fora, baixando a garupa interna. O cavalo se curva na direção oposta da direção em que está se movimentando.
6. Travers. O travers pode ser executado em um trote reunido ou em galope reunido. O cavalo fica ligeiramente curvado em direção da perna de dentro do cavaleiro, porém com um grau mais acentuado do que no exercício de espádua para dentro. Um ângulo constante de aproximadamente 35 graus deve ser apresentado (de frente e de trás, são quatro pistas). A antemão continua na trilha e a garupa é conduzida para dentro. As pernas de fora do cavalo passam e cruzam na frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que está se movimentando. Para iniciar o travers, a garupa deve deixar a pista ou, após um canto ou um círculo, não voltar à pista. Ao final do travers os posteriores voltam à pista (sem a contraflexão da nuca/pescoço) como se terminassem um círculo. Objetivo do travers: mostrar um movimento de trote reunido em uma linha reta e em uma curvatura correta. Anteriores e posteriores se cruzam, e o equilíbrio e a cadência são mantidas.
7. Renvers. Renvers é o movimento inverso em relação ao travers. Os posteriores continuam na pista enquanto a antemão é movida para dentro. Para terminar o renvers, a antemão fica alinhada com os posteriores na pista. De resto, os mesmos princípios e condições que se aplicam ao travers também
se aplicam ao renvers. O cavalo se curva ligeiramente em torno da perna interna do atleta. As pernas de fora do cavalo passam e cruzam em frente das pernas de dentro. O cavalo se curva na direção em que se movimenta. Objetivo do renvers: mostrar um movimento de trote reunido fluente numa linha reta com um grau de curvatura maior do que uma espádua para dentro. Anteriores e posteriores se cruzam, e equilíbrio e cadência são mantidos.
8. Apoio. O apoio é uma variação do travers, sendo executado em linha diagonal em vez da parede. Pode ser executado em trote reunido (e em passage e estilo livre) ou no galope reunido. O cavalo deverá estar ligeiramente inclinado em torno da perna de dentro do cavaleiro e na mesma direção em que está se movendo. O cavalo deverá manter a mesma cadência e equilíbrio durante todo o movimento. Para dar mais liberdade e mobilidade às espáduas, é da máxima importância que a impulsão seja mantida, especialmente o engajamento do posterior interno. O corpo do cavalo está praticamente paralelo ao lado maior do picadeiro, com a antemão ligeiramente na frente da garupa. No trote, as pernas de fora passam e cruzam na frente das pernas internas. No galope, o movimento é executado numa série de lances para frente e para o lado. Objetivo do apoio no trote: mostrar um movimento de trote reunido fluente numa linha diagonal com um grau maior de curvatura do que uma espádua para dentro. Anteriores e posteriores se cruzam, e o equilíbrio e a cadência se mantêm. Objetivo do apoio no galope: mostrar e desenvolver a reunião e a flexibilidade do galope por meio de movimentos fluentes para frente e para o lado, sem a perda de ritmo, equilíbrio ou leveza e submissão ao encurvamento .