Mostrando postagens com marcador neurofisiologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador neurofisiologia. Mostrar todas as postagens

4 de dezembro de 2009

A Cadeia de Reflexos da Equitação


Como acabamos de ver, o cavalo não obedece ao cavaleiro para lhe agradar. O cavaleiro, para obter uma determinada ação do cavalo, terá de acionar a sua cadeia de reflexos (mesmo que ele não saiba disso), que vem a ser uma ‘programação’ do sistema nervoso que o animal usa na sua vida natural. Isto significa que a equitação é um processo de aprendizado bilateral. O equitador aprende a reconhecer os movimentos do cavalo e a deflagrar os seus reflexos, e este aprende a reconhecer e a automatizar o código de comandos do cavaleiro. Como a cadeia de respostas condicionadas parte do sistema nervoso do cavalo, Grisone e seus violentos seguidores podem descer do seu pedestal para aprender com o cavalo o que é a boa equitação.
“A deflagração dos reflexos naturais do cavalo está ligada a dois pontos na espinha dorsal do animal chamados de dilatação cervical e dilatação lombar (veja ilustração) . A dilatação cervical comanda as ações dos membros anteriores, e a dilatação lombar a ação dos membros posteriores. Estes dois pontos são engrossamentos do sistema nervoso central, que tem início no cérebro e corre pela coluna vertebral até a garupa do cavalo e também desce para controlar as pernas. Estas duas dilatações, quando estimuladas pelos nervos sensores, deflagram os reflexos que determinam o andamento do cavalo – o passo , o trote ou a marcha , e o galope – e também as mudanças de direção, mudanças de velocidade e demais ações eqüestres” explica Dr. Rooney. O ser humano possui um sistema reflexo automatizado semelhante que permite, por exemplo, que possamos andar e conversar ao mesmo tempo, ou dirigir um automóvel e simultaneamente discutir com um amigo o desempenho do nosso time de futebol, enquanto acionamos a alavanca do câmbio com a mão direita, pisamos na embreagem com o pé esquerdo, aceleramos com o pé direto, começamos a girar o volante com a mão esquerda e conferimos, com um olhar, o espelho retrovisor — tudo ao mesmo tempo e sem nos concentrarmos diretamente no que estamos fazendo. Poderíamos chamar esta seqüência de movimentos de ‘reflexos automatizados da direção automobilística’. Vamos examinar um exemplo prático do funcionamento da cadeia de reflexos da equitação:, depois de montar pedimos, com uma pressão das pernas, a saída do cavalo para o passo. Este comando é captado pelos nervos sensores, localizados atrás do encilhadouro do cavalo, que mandam um sinal elétrico para a dilatação cervical. De lá, um estímulo nervoso corre até o músculo protator e libera uma substância química com a qual o músculo se contrai e movimenta a perna para a frente. Estes nervos, que provocam o movimento, são chamados nervos motores. Para desencadear um passo regular este processo se repete alternadamente, com o músculo retrator movimentando o membro para trás e o músculo protrator impulsionando para frente, e assim por diante. Toda esta série de reações musculares, que determinam a coordenação das passadas, são chamadas de ações reflexas. (Atenção, nem pensar em pular este trecho do livro porque esta descrição tem para a neurofisiologia da equitação a mesma importância que a Teoria da Relatividade de Einstein para as leis da física!). Então, prosseguindo: note que os nervos sensores do cavalo captam o toque das pernas do equitador, enviam a informação para a dilatação lombar, que transforma o comando do cavaleiro num gesto reflexo do animal — ou seja, o início da movimentação do passo. “Isto quer dizer” explica Dr. Rooney, “que a protração e a retração — o movimento para a frente e para trás dos membros — que realiza a ação de andar, trotar, ou marchar e galopar, pode ser regida exclusivamente pela dilatação cervical e lombar, do cavalo sem a participação direta do cérebro do animal no processo. Isto é, com a automatização dos andamentos sem a interferência do cérebro”. Mas, como se insere o cérebro na coordenação motora do cavalo? — Continua Dr. Rooney: “Numa área do cérebro, abaixo do cerebelo, existe um conjunto de centros nervosos responsáveis pela coordenação e regulagem dos movimentos do cavalo. Eles determinam o andamento (passo, trote ou marcha e galope) e determinam a seqüência em que as pernas vão se movimentar. Se um cavalo na sua vida natural estiver pastando e se, por algum motivo prático, tomar a decisão cerebral de andar, o andamento será repetido automaticamente até haver uma nova vontade de mudar de andamento ou parar” — Finaliza Dr. Rooney. Esta pesquisa, a meu ver, permite uma conclusão extraordinária. Se um cavalo estiver bem adestrado – isto é, se o conjunto estiver com os seus sistemas sensorimotores altamente afinados, e o cavaleiro executar os seus comandos com grande sutileza, o cavalo não tem como distinguir, nos centésimos de segundo em que ocorrem os toques de comunicação da cadeia de comandos da equitação, se estas ‘dicas’ estão partindo do cavaleiro ou do seu próprio sistema sensorimotor. O cavalo não só parece estar comandando a ação – o cavalo terá a sensação de estar comandando a ação. O Dr. James Rooney, que é veterinário e não equitador, fez a meu ver, uma ou outra observação que não me parece corresponder com a realidade da neurofisiologia da equitação. A interação neurofisiológica entre o cavalo e o cavaleiro nos esportes eqüestres está, provavelmente, fora da área de atuação dos médicos veterinários e ainda não ingressou no currículo dos especialistas em fisiologia do exercício humano. Resta, portanto, a nós equitadores fazermos as primeiras observações acerca do fenômeno fisiológico da equitação que, mais do que qualquer outro, é o principal responsável pela trajetória histórica da humanidade. Dr. Rooney não tratou, por exemplo, do fato do cavaleiro também ter de organizar os seus próprios reflexos para a equitação em ações automatizadas, que se coordenarão com as do seu cavalo – o que estou chamando, aqui, de fusão neurofisiológica homem-cavalo. Transcrevi, para este livro, as observações que me pareceram as mais importantes na ótica da prática interativa da equitação, que chamaremos de neurofisiologia da equitação, um termo que me parece faltar até hoje no vernáculo da equitação.
A compreensão da fisiologia da equitação — que engloba a interação da psicologia e da neurofisiologia do Homem e do Cavalo — vai modificar radicalmente os antigos métodos de ensino da equitação sistematizados a partir da renascença italiana. A revolução na percepção do cavalo e da equitação, que está começando a ocorrer no mundo, será tão abrangente como as transformações da economia global decorrentes da introdução da informática. Para a equitação, o século 21 vai ser muito diferente daquele que passou. (Com a participação involuntária de Dr. James Rooney)

A Neurociência Revela os Princípios da Equitação

A equitação pode, e deve, se beneficiar com as novas informações científicas que não param de enriquecer o conhecimento humano. Na busca por técnicas mais eficientes para se montar a cavalo convém, além de rever os velhos manuais de equitação, procurar novas fontes e fatos nas ciências contemporâneas que possam nos ajudar a ampliar os limites da nossa percepção do cavalo e da fisiologia da equitação. Acredito que, para se contribuir com o que já é sabido, não basta traduzir, transcrever e concordar com a bibliografia existente. Hoje, mais do que nunca, é preciso equitar, avaliar, duvidar e pesquisar para, então, ajudar a reconceituar as teorias existentes à luz da ciência. “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende” escreveu, com grande sabedoria, Guimarães Rosa.
Antes de nos aprofundarmos numa filosofia avançada da equitação, vamos analisar a neurologia do cavalo que permite a equitação em si, segundo uma pesquisa realizada por Dr. James Rooney, professor de Patologia Veterinária da Universidade da Pensilvania. O estudo, intitulado The Chain of Riding Reflexes -- A cadeia de reflexos da equitação --realizado nos anos 70, revela que o cavalo reage aos comandos do cavaleiro através de reflexos condicionados organizados durante o processo de treinamento do animal. Esta extraordinária informação pode estabelecer bases sólidas para se realizar uma fusão mais completa do sistema neurofisiológico do cavalo e do cavaleiro. As técnicas para esta fusão foram desenvolvidas instintivamente pelos inventores da equitação, os nômades da Ásia Central, e por alguns grandes cavaleiros. Um deles foi Caprilli, que acabou sendo conhecido apenas como o criador do ‘assento adiantado’ usado atualmente por todos os cavaleiros nos saltos de obstáculos. Esta fusão pode ser descrita assim: o cavalo e o cavaleiro evoluem na ação eqüestre como um único ser. O cavaleiro em perfeita sintonia com o ritmo e os movimentos do cavalo, os dois unidos por uma ação de gestos, sentidos e objetivos casados. O cavalo é a extensão do cavaleiro e este, o prolongamento do cavalo. Entre os dois seres neurofisiologicamente conectados, um fluxo de informações retroalimenta continuamente a ação do conjunto. Visualmente tem-se a impressão de que o cavalo comanda a ação, tal a sutileza dos comandos do cavaleiro e a harmonia de performance do conjunto. A partir desta imagem, fica claro que existe muito mais por trás de uma equitação de alta performance, do que o uso de mãos, pernas, esporas e chicotes - as tradicionais ‘ajudas’ que, usadas indiscriminadamente, atrapalham mais do que ajudam, provocando uma ação eqüestre feia e de pouco rendimento esportivo. “Para se obter um alto nível de desempenho esportivo”, diz Dr. James Rooney, “é importante se conhecer o funcionamento da coordenação motora do cavalo, para dela tirar melhor proveito”. E, a partir daí, aprender a desencadear uma seqüência de comandos que, por sua vez, vai catalisar no cavalo a cadeia de respostas condicionados da equitação , um processo neurofisiológico muito mais próximo da cibernética do que das leis da mecânica convencional. Acredito que o estudo da cadeia de reflexos da equitação do Dr. James Rooney está para a equitação, assim como o heliocentrismo de Copérnico está para a astronomia. Como um Copérnico moderno, Dr. James Rooney nos possibilitou uma visão científica de um mundo até então desconhecido - o do desempenho eqüestre - um universo tradicionalmente povoado por mitos, equívocos, conclusões conflitantes, burrice e até charlatanismo.
http://www.desempenho.esp.br/livro/get_capitulo.cfm?id=87

25 de novembro de 2009

O Milagre da Neurofisiologia da Equitação


"Quando o homem e o cavalo, para realizarem tarefas conjuntas, se fundem numa única unidade biológica forma-se uma rede de cooperação neurofisiológica entre os parceiros. Esta interação entre os sistemas nervosos do Homo e do Equus ocorre, nas diversas modalidades eqüestres, em graus diferentes, e esta variação determina a dificuldade e a qualidade da equitação. Podemos afirmar que a equitação é um milagre de coincidências biológicas que, à primeira vista, o bom senso julgaria impossível de acontecer - isto porque só um milagre permitiria que dois seres programados pela natureza para a realização de tarefas vitais tão diferentes pudessem unir os seus complexos recursos fisiológicos para realizar uma mesma tarefa - e com o alto grau de eficiência verificada em algumas modalidades eqüestres."
A cooperação funcional entre homens e animais não é em si uma novidade. Desde a Antigüidade, o homem buscou entre os animais aqueles que pudessem lhe ajudar a sobreviver e até a enriquecer. Na Índia, o elefante faz, há milênios, o trabalho do guindaste hoje. Em todas as sociedades agrárias o boi puxa arados, o jumento transporta carga e, entre os povos nômades, o cavalo, a rena e o camelo, servem para o deslocamento de carga e como transporte individual. Todas estas tarefas exigem algum grau de cooperação funcional entre o homem e o animal. O que diferencia a equitação de todos os outros usos de animais - e até do uso do cavalo para tração - é a fusão neurofisiológica necessária para que o conjunto eqüestre se funda em um único ser biológico para operar ações conjuntas na guerra, nos trabalhos e nos esportes. Mas o homem e o cavalo possuem diferenças morfológicas tão acentuadas que, à primeira vista, a equitação seria um fenômeno inacreditável. A impossibilidade teórica da equitação foi confirmada em todas as ocasiões em que povos pedestres se chocaram pela primeira vez com povos eqüestres. Os pedestres viam os eqüestres com a mesma incredulidade com que você veria um hipopótamo pilotado por um chimpanzé ganhando o Grande Prêmio Brasil no Jockey. Entretanto, se olharmos o fenômeno da equitação com muita atenção, podemos distinguir onde e como a maioria das características anatômicas e neurofisiológicas das espécies Homo sapiens e Equus caballus se completam para formar o fenômeno Homo-caballus. Se a diferença entre as duas espécies é grande, as coincidências são maiores ainda! Em homenagem ao inventor da equitação, o Homo sapiens, vamos examinar primeiramente quais as suas características morfológicas e neurológicas que favorecem a equitação. Sabemos que o corpo do Homo é dividido em cabeça, tronco e membros, exatamente como o do cavalo. Mas existe uma relação de flexibilidade muito especial entre as partes do corpo humano que não existe no cavalo. O Homem evoluiu basicamente para se locomover na copa das árvores. Sim, fomos programados para braquear, isto é, para nos deslocarmos de galho em galho nos impulsionando com os braços e usando as pernas para dar mais empuxo e firmeza nos saltos aéreos. O antecessor do Homo era o 'saltimbanco da floresta', um verdadeiro 'acrobata do cipó'. A contribuição sensorimotora do homem na equitação é o seu grande senso de equilíbrio, a capacidade de usar os braços independentemente das pernas, uma postura de tronco ereto que permite deslocar o centro de gravidade para frente e para trás conforme a velocidade do cavalo, um grande número de sensores nervosos e músculos especializados que permitem excelente coordenação, entre olhos e mãos, para o manuseio de objetos. Esta habilidade manipuladora é boa e ruim. Muitos 'macacos pelados' não conseguem desenvolver uma boa equitação porque a sua compulsão manual destrói o delicado equilíbrio sensorimotor necessário para a grande performance eqüestre. Para equitar bem, o Homem tem que descartar os seus movimentos amplos e usar apenas os movimentos finos. (Quebrar pedras é mais fácil do que lapidar diamantes, é claro). Mas, do ponto de vista neurológico, o Homem desenvolveu um órgão fundamental que possibilita todo o milagre da equitação - um cérebro capaz de estabelecer enormes seqüências de relações entre os fenômenos naturais e que transformou a espécie humana numa máquina de aprender. Perceba, portanto, que o bom equitador se notabiliza primeiramente pela sua capacidade de aprender com o cavalo e não pela sua capacidade de ensinar ao cavalo - uma questão que obviamente tem atrapalhado muitos candidatos a cavaleiro, porque as pessoas imaginam caber a eles ensinar o cavalo a ser cavalo. O Homem, através de milhões de anos, a maioria deles de vida arbórea, desenvolveu uma série de reflexos incondicionados, isto é, involuntários, que foram passados de geração a geração e hoje representam o grande elenco de movimentos humanos. Outros reflexos são condicionados por estímulos do meio ambiente e são desenvolvidos no processo de aprendizado do indivíduo. Na equitação, estes dois tipos de reflexo - o condicionado e o incondicionado - vão interagir com os reflexos naturais do cavalo. (Veja o capítulo A Cadeia de Reflexos da Equitação). Os movimentos e as ações da equitação são iniciados pelo sistema sensorimotor do cavaleiro e completados pelo sistema sensorimotor do cavalo. Isto é, são deflagrados pelo cérebro do Homem e finalizados pelo sistema nervoso do cavalo. Vejamos agora a morfologia funcional do cavalo. O cavalo é um animal com grandes diferenças funcionais e morfológicas, se comparado com o homem. Como já vimos, a cabeça, o pescoço, o tronco e o aparelho locomotor do cavalo foram planejados para desenvolver grande velocidade em qualquer terreno. O seu esqueleto, com uma construção semelhante ao do homem é, no entanto, horizontal para se tornar mais aerodinâmico. Mas o cavalo não tem a mesma agilidade do homem. "Existe uma crença comum que o cavalo é um saltador natural com um corpo flexível capaz de manter o seu equilíbrio em todos os andamentos e velocidades", escreve R. H. Smythe em seu livro A Estrutura e o Movimento do Cavalo. "A realidade é muito diferente. Comparando com todos os animais atletas o cavalo foi provido por um tronco de grande volume e peso que depende exclusivamente das pernas para se deslocar sobre o terreno, que funciona (negativamente) como um lastro. O equilíbrio do cavalo depende de pés com um diâmetro pequeno, muitas vezes tornados mais precários com o uso de ferraduras. Esses quatro pés tem de suportar e equilibrar o cavalo na reta, subindo e descendo, ao aterrizar depois de um salto e como freio para desacelerar a sua velocidade. Nas curvas, ele tem de manter o equilíbrio, às vezes em grande velocidade, e suportar as interferências que normalmente ocorrem em competições. Uma análise mais atenta poderia sugerir que esta espécie animal não é recomendada para todas estas tarefas. Entretanto, sejam quais forem as suas limitações, o cavalo hoje consegue desincumbi-las muito bem", conclui Smythe. Note que a análise de R. H. Smythe é inteiramente mecanicista - isto é, do ponto de vista da sua mecânica o cavalo é inadequado para a equitação! O que supera esta aparente limitação mecânica é o seu sofisticado sistema nervoso, que Smythe não menciona. Donde se conclui que, como no caso do Homem, a mais importante contribuição do cavalo para a equitação é o seu sistema nervoso. O velho adágio 'No foot no horse', muito popular no passado deve ser rescrito para 'No brain no horse', muito mais de acordo com a realidade eqüestre da Era Digital. Encontramos também na conformação do cavalo algumas coincidências que favorecem a ajuste com a morfologia do homem. Um costado com a largura adequada para Homo abraçar com as pernas, um lugar para o cavaleiro se posicionar sobre o dorso, no final da cernelha, ideal para o alinhamento do seu centro de gravidade com o do cavalo. O corpo relativamente inflexível do Equus caballus é, no entanto, um dos principais elementos a favorecer a equitação. Se o cavalo tivesse um dorso flexível como o de um gato, seria impossível de ser equitado. Se tivesse a pele solta como a do cachorro, também. As coincidências psicomotoras também são notáveis. Se o cavalo fosse carnívoro e tivesse um sistema nervoso com os reflexos rápidos de um gato ele seria impossível de ser montado. A coincidência de temperamentos é outro fator que permite a fusão neurofisiológica do conjunto. O grande elenco de movimentos naturais do cavalo é inteiramente utilizado na equitação moderna e totalmente administrável pelo homem treinado para a equitação. No aspecto psicológico existem também as semelhanças necessárias para completar o milagre da equitação. Sentimentos como o medo, o prazer, a confiança, a curiosidade e a determinação fazem parte da psicologia tanto do Homo quanto do Equus e também são responsáveis para o sucesso da fusão psiconeurofisiológica da equitação. E, talvez, campos magnéticos e outras 'ondas' elétricas ainda desconhecidas pela ciência possam também ser responsáveis pelo sincronismo de movimentos e o senso simultâneo de direção e velocidade verificado nos grandes conjuntos eqüestres. O século 21 provavelmente nos dirá. Depois de uma análise, mesmo rápida, da neurofisiologia do homem e do cavalo pode se concluir que o 'saltimbanco da floresta' e o 'corredor da savana' são os únicos seres vivos capazes de se unir para formar um terceiro organismo mais eficiente do que os dois indivíduos que o formaram. Isto é, quando o instinto de independência do cavalo e instinto de interferência do homem não entrarem em choque para as tomadas de decisão durante a equitação.
"A equitação de alta performance é provavelmente uma das tecnologias biológicas mais complexas já dominadas pelo homem. A capacidade de interagir com o complexo sistema nervoso do cavalo, que produz um processo de feedback entre os parceiros, exige do equitador respostas reflexas instantâneas aos reflexos incessantes produzidos pelo cavalo. Administrar as ações de um cérebro estruturado para mobilizar um organismo muitas vezes mais potente do que a do homem, é um enorme desafio para os 10 bilhões de células nervosas que compõem o tronco cerebral, o cerebelo e o cérebro do Homo sapiens. Felizmente, a neurociência já começa a nos fornecer dados reveladores para analisarmos os princípios da equitação."
Bjarke Rink - Desvendando O Enigma do Centauro - Parte II
http://www.desempenho.esp.br/livro/get_capitulo.cfm?id=82